quarta-feira, 20 de junho de 2012

Subindo no Caixote

Venha conhecer meu novo espaço: www.claudiobrites.com.br


Texto de apresentação:


Quando pensei Hipocentro, queria mesmo era criar uma revista. Juntaria minha opinião (como se alguém quisesse ouvi-la) com os dizeres de uns e outros amigos e teríamos um espaço onde falaríamos de literatura, cinema. Mas a preguiça envolta na ausência total de tempo me fez usar o nome para algo menos nobre, um blogue de pessoalidades. Um diário de debutante, como dizem alguns.
Com o tempo fui me impregnando de um certo espírito editorial e pensei: um blogue tem que ter um projeto, se for pra escrever um diário, faço isso em casa. Entre buscas, comecei a usar o espaço para exercícios de estilo, que resultaram em parte do meu romance, Talvez. Alguns posts eu coloquei no BLABLAblogue, outros, como disse, pincelava para o romance. Então o blogue foi selecionado por Marcelino Freire, sob coordenação da Heloisa Buarque de Holanda, para exposição Blooks, no SESC Pinheiro. A exposição e a finalização do romance forma a noite de formatura, não havia mais sentido de mantê-lo. Fechei.
Tenho usado o Facebook para dizer uma coisa ou outra, compartilhar esquisitices. Mas sinto falta de um espaço para falar outras coisas, ou melhor, demorar mais na fala. Pensei em abrir outro projeto, com outro nome, poderia, quem sabe, resultar em outro livro. Contudo, acabaria me privando de minhas atuais obsessões e  caindo em outro “eu lírico” disntante. Eu deixaria de dizer, hora ou outra, coisas práticas: compartilhar leituras, dizer o que acho de um filme, falar mal do vizinho da frente, campanha do político do meu coração. Eu sinto fala disso, talvez pela ausência das conversas de boteco, suprimidas pela vida corrida.
Nunca serei “eu” dizendo, claro, nunca somos, mas a ideia era chegar o mais próximo. Os poréns me fizeram inaugurar esse site, leva meu nome, porque vai juntar coisas ditas por mim. Esses enunciados que de certa forma, em sua dispersão, irão compor meu ethos público. Mesmo que na URL esteja tal nome – seguido do famigerado, mas já gasto “.com.br” – resolvi dar um título pra esse espaço. Antes, quando as tribos eram menores, como ainda fazem alguns hoje na Praça da Sé, subia-se em caixotes e colocava-se a boca no mundo. Além do mais, dentro deles se coloca um monte de bugigangas, aquelas das quais não conseguimos dizer mortas. Eu precisaria de um caixote reforçado, 1) porque ando bem fora do peso e 2) tenho ascendente em câncer, jogar fora é sempre um parto.
Benvindos ao meu Caixote.
PS: como sou um Escritor de Segunda, vocês encontrarão atualizações, no geral, às segundas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Na outra rua

Não tem jeito, você pode até espreitar na esquina, mas só depois da curva a gente descobre o que tem na outra rua.

Mudar. Quantas mudanças você empreendeu para chegar aqui? Eu posso citar ao menos uma: você teve que clicar em algumas páginas, acessá-las, para chegar a este parágrafo. Há mudanças simples, mas a grande maioria nos faz sofrer. O conforto, o conforto do mesmo nos acomoda e mudar e descolar da pele alguma coisa dói. Há aqueles que mudam com facilidade, verdade, o tempo todo, mas não conseguem mudar o hábito de mudar sempre e sempre. A mudança estabelece um paradoxo que nos divide, se mudamos nos sentimos covarde por não insistir em algo, ou se não mudamos nos sentimos covardes por insistir em algo. E quando devemos mudar? Quando é a hora? Ao menos é assim que vejo o embate estabelecido dentro de mim diante da mudança, seja ela qual for, seja como for.

Nossa relação com as situações de mudança precisam ser resolvidas porque mudar faz parte dos dias, como a fome. Quando eu me deparo com uma grande mudança, sofro fisicamente, acho que é porque vivo num mundo, nós vivemos, num mundo que nos exige atentos e em movimento, onde não há tempo para o luto e toda mudança exige certo luto porque o que fica está morto. Então sinto que a cada curva, mudança de trajeto, é como se eu me movesse entre cadáveres que nem frio ainda estão. Pareço drástico demais, eu sei. Talvez eu não esteja vivendo na época adequada, época dos homens de sucesso e sua flexibilidade infinita. Talvez seja isso, ou quem sabe meu corpo seja o problema, minha mente sabe que devo mudar, mas meu corpo vai na contracorrente, um cavalo xucro cavalgado pelo Exu da preguiça, vai ver. Não sei.

Conheci um médico, psiquiatra, que disse que o problema de lidar com mudanças era o maior causador de depressões, entre outros problemas. Ele me indicou uma metodologia, uma palavra bem corporativa, confesso, mas que ele garantia total sucesso, ou, ao menos, melhora na minha qualidade de vida. Disse ele:

- Faça uma lista, duas na verdade, com os pontos positivos e negativos de cada um dos caminhos que deseja seguir e então compare, isso mesmo, estabeleça uma estatística quantitativa para saber quem ganha;
- Converse com um número ímpar de amigos, e veja o que a maioria aconselha;
- Se afaste da questão por três dias e então, quando voltar, veja qual opção perdeu a força enquanto escolha viável;
- Jogue uma moeda, ou um dado, depende da quantidade de opções que tem e se entregue ao acaso;
- Não escolha, se a dor for muito grande, continue no caminho e veja até onde aguenta;

Confesso que achei muito interessante essa metodologia, ele disse que o ideal era, com exceção da última opção, utilizar de todas elas e avaliar com qual escolha os resultados entravam em mais harmonia, ou seja, o dado deu qual escolha? Essa escolha combinada com o que seus amigos disseram? E com a lista que você fez? É tentar uma avaliação holística do problema. Belo nome: holística, mas me parece aumentar o guarda-roupa de uma pessoa que não consegue se decidir entre duas calças.

A crença em um livre arbítrio; o Estado democrático, mesmo que aparentemente democrático; a guerra mercadológica entre produtos de marcas afim, entre outros conceitos da sociedade moderna ajudam nessa sensação de caos que as opções nos garantem, um caos que deve ser ordenado, mas como? E se minha forma de ordenar for equivocada? Há quem se embase, então, em um código religioso, que acaba definindo, ao menos, algumas escolhas dentro do certo e o errado, a lei também tem esse papel, restringindo ainda mais o que é possível fazer, já ouvi tolos que dizem que a ditadura é uma ótima forma de governo, pois faz com que o povo precise escolher mais ainda, e então temos o comunismo norte coreano, por exemplo, onde homens e mulheres não perdem o tempo escolhendo roupas, ou produtos de qualquer marca. Então nos deparamos com a angústia de não poder escolher e percebemos que o caminho que vai ao encontro de nossa natureza não ter poucas opções e sim saber transitar entre elas, mas caímos nas mesmas questões: como? Qual? Quando? Por quê? Onde?...

Não espere que eu responda, de forma alguma, esse texto é mais uma forma de compartilhar esse sentimento, pois sei que às vezes nos sentimos só, acreditamos que ninguém mais é tão confuso, tão indeciso, ou tão covarde... Não, de forma alguma, você não está só, mesmo que isso não signifique que será mais fácil, mas você ao menos fica sabendo que pode contar com o apoio de um ou outro, do olhar de fora, sempre menos cansado, menos viciado em seus problemas, pois de todos os conselhos metodológicos do tal psiquiatra, aquele de falar com os amigos é o único que realmente funciona para mim, mesmo que no fim a decisão se já minha: mudar ou não mudar, eis a questão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AGRADECIMENTOS?

(Texto de abertura de minha dissertação de mestrado, depositada hoje. Não sei como será a banca de defesa, muito menos a nota resultante, mas não importa, já sinto a missão cumprida. Há agradecimentos, muitos, diversos, mas vou resumi-los abaixo. Pela ajuda técnica e espiritual. Por não me deixarem cair. Sei que é um texto pouco acadêmico, mas irá assim mesmo. Abraços!)
Fico pensando se devo agradecer a minha orientadora, Professora Doutora Maria Valíria Aderson de Mello Vargas, eu não sei se só um agradecimento vai ser suficiente diante de toda paciência dedicada. Ela precisava de algum prêmio, algum tipo de bonificação, medalha de honra, por ser mais centrada que o Mestre Yoda (se bem que, às vezes, penso que se ela tivesse um sabre de luz, eu não teria, ao menos, um dos dedos).
Somente agradecer aos professores do mestrado parece pouco também, pois me ajudaram a sair do degrau de um exercício de intuição, para sentar, ao menos, no banquinho dos estudantes que sabem que a teoria é o solo para toda prática.
Vou agradecer à banca, paciente banca, que contribuiu para descortinar algumas coisas que ainda estavam anuviadas, Professoras Doutoras Maria Cecília de Souza-e-Silva e Sueli Cristina Marquesi, desde já meu apreço com carinho e gratidão.
Vou agradecer, sem dúvida, à CAPES, que me deu o arcabouço financeiro para não precisar agradecer de forma interesseira a algum mecenas, ou mesmo ao meu patrão, por me ajudar no custeio dos estudos. Não que meus superiores, as lindas Laíde, Alaíde e Ana Paula, na EMEF Ruth Lopes Andrade mereçam reclamações, de forma alguma, foram fundamentais nos últimos meses com o suporte e a tolerância.
Agradeço aos amigos, tantos amigos, por todas as vezes que me arrastaram para a mesa do bar, que disseram que tudo isso (academia, mestrado, dissertação, Osman Lins) não passava de uma grande tolice e que o negócio era relaxar. Principalmente Kizzy, Tiago, Isis, Ely, Japa, Roger, Cobbi, Fernando, Nê, Luana, Karla, Ricardo, Naná, Petê e o pessoal do RPG. Valeu! Eles e só eles me forneceram os minutos necessários para o engrandecimento do meu estofo intelectual (menos Luciano, ele não, quando esclarecia todas as minhas dúvidas sobre delimitação do tema, problema, ABNT; nem Nelson de Oliveira, que me apresentou Osman Lins; muito menos Cariello, que me trazia livros da USP; e nem Denize que, pior ainda, descobriu para mim A rainha dos cárceres da Grécia).
E, de certa forma, acredito que não será necessário agradecer minha família, pois terminar esse trabalho já é o agradecimento que eles desejam, eu sei, vou, ao contrário, reclamar deles: por não me deixarem cair em momento algum, mesmo sabendo que isso poderia me deixar mais forte, por não saírem da minha frente enquanto eu tentava jogar videogame, ou por tirarem a chave da minha mão todas as vezes que eu quis ir para a praia! Não sabem, coitados, que é no ócio que se fermentam os pães dos quais a alta cultura se alimenta e se tivessem me deixado mergulhar nele este trabalho, provavelmente, seria mais brilhante (é bem provável que precisaria, assim, de centenas de anos para terminar). Eu tenho que reclamar também por não me abandonarem, não sabem que o escritor funciona melhor sozinho? Que o teórico precisa do silêncio das ideias? Mais uma vez, digo, se tivessem me deixado de lado, arrebentado comigo em todos esses momentos em que usei o mestrado como desculpa para fugir das reuniões sociais, este trabalho chegaria, muito perto, de se confundir com a alvorada. Tudo bem, tenho que entender, eles me amam, são pessoas especiais demais e não podiam simplesmente jogar um parente na sarjeta, mesmo que ele merecesse, porque ele só pensa em discursos e linguística (quase um palavrão nestes dias).
Reclamo do meu sogro, sua insistência em ser um mestre tão fantástico, devia ter percebido que o discípulo era claudicante demais, como o próprio nome já inferia.
Da minha mãe, minha santa mãezinha, tão católica, carregaria o filho nas costas para ele dar conta de se tornar mestre, em alguma coisa, seja lá o que isso for. Mestre? Para ela eu já tenho todos os títulos: amor da sua vida, motivo do seu viver, o mais lindo da fila.
Meu pai? E há o que dizer do meu pai? Você não o conhece? Silencioso como é, é como o espírito santo que vai consumindo por onde passa, com um fervor, ai se eu tivesse o fervor do meu pai! Eu virava, assim, um profeta.
Tenho muito a reclamar da minha irmã também, quando desempregada me ajudou a digitar os meus fichamentos, minhas anotações (digitou a grande maioria, na verdade, enquanto eu me aventurava em sites duvidosos), bem, esse mimo fez com que eu refletisse menos sobre minhas anotações e, sendo assim, fosse prejudicado em minha argumentação.
Só atrapalharam. Da minha família, só há o que reclamar. (Menos do Beto e da Fatita, esses me deixavam sempre aparecer lá no litoral).
A esposa? Ora, eu não deveria falar mal da minha esposa, é complicado, sabe como é... Não posso dizer que ela quase me deixou louco, logo depois de me motivar, como uma treinadora de boxe, a entrar no mestrado, ficava perguntando (durante todos os dias que demorei para concluí-lo), quando eu iria terminar (com “a outra”). Fora isso, me arranjou uma filha, toda linda, toda perfeita, no meio do caminho, com a cruel habilidade de me torturar com sua vozinha dizendo “papai, assiste desenho comigo!” pra cá, “papai para de escrever!” pra lá. De deixar qualquer um louco! E foi mais longe, há pouquíssimos dias declarou “estou grávida”, novamente, então se livre desse mestrado, que não quero outro filho meu sem pai. Pode? Bem, não vou dizer tais coisas dela, assim de barriga, um amorzinho, sem dúvidas.
Também nada de ficar dizendo “obrigado, Deus”, perda de tempo ficar reforçando, afinal Ele é o Outro sempre presente, constitutivo, reside no interdiscurso, voz evocada no âmbito da heterogeneidade não marcada, sendo assim, nada de Deus. Não tenho interesse em discutir aqui seu ethos. Para mim, Ele é e está e pronto (e sabe disso).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Venha

Pode vir, já que derrubou o muro, arrastou o universo pelos cabelos, pode vir! Venha com gana, acima do seu gênero, venha humano! Muitos te esperam aqui, são legais, com alguns defeitos, você vai aprender que todos os tem, até você, mas no geral são legais e vão te amar e espero que entenda que, no fim, é isso que importa. Venha, não vou tornar sua vida mais fácil, ele nunca é, mas estarei do seu lado, como estou ao lado da sua irmã. Venha com saúde e vontade, que a gente se vira.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quero ser o silêncio em meio a esse barulho, um silêncio ruidoso, desses que é impossível ignorar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pra cuspir

Do que é feita a porra que explode na sua boca? E sua língua, do que é feita? Qual o valor de bradar se ninguém ouve? E mesmo que ouça, qual sentido tem o brado de alguém que não ecoa? Do que adianta chorar os oprimidos e oprimir, lamber o desapego e colecionar sapatos? Somos uma massa só, um entrelaçado de veias e credenciais com fotos três por quatro que nos enquadram na moldura do padrão, da regra sisuda e disfarçada de imparcial. Ninguém ama igual, nem a Lei, ela tem preferidos, acariciados, a ceguinha sabe apalpar quem tem o caralho maior. E você fica cantando, dizendo quem é, sabe com quem está falando, mas não é ninguém, não sabe nem definir sua cor, assinalar um xis na sua etnia e quer parar a praça, dar nome pro manifesto e voltar pra casa, dormir de meia aquecido por seus peidos. Pare, pare já, antes de continuar rascunhando palavras de ordem que não dão ordem nem para você, me diga, do que é feita a porra que explode na sua boca no meio da avenida? E sua língua, de que árvore que ela vem? Cuidado, do mesmo modo que há obras póstumas, existem homens póstumos, com palavras morto-vivas, baseados em falecidas convicções e "uma visão baça do mundo".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

6.0 de Glauco Mattoso

A escritora Ivana Arruda Leite, que faz aniversário amanhã, nos presenteou com uma divulgação em seu blogue. Uma fofoca bem bacana, que eu retransmito com grande alegria. É sobre Glauco Mattoso, um escritor absurdo de fantástico, que eu tive o prazer de conhecer esse ano, no papo promovido por Edson Cruz, com Luiz Roberto Guedes, lá na Terracota. Glauco é arte por si só, emana literariedade. E a notícia é muito boa.

Assunto: CONFIRMANDO O BOATO

Em primeira mão, quero adeantar aos amigos… Pelo que fiquei sabendo, duas editoras se junctaram para commemorar meus 60 annos, em junho, com um duplo lançamento festivo: a Annablume (com o sello Demonio Negro) e a Alaude (com o sello Tordesilhas). A primeira lança uma caixa com os dez volumes de poesia da serie MATTOSIANA em cappa dura, redesenhados pelo gutenborgeano Vanderley Meister; a segunda lança o inedito volume de ficção TRIPÉ DO TRIPUDIO E OUTROS CONTOS HEDIONDOS. A festa está agendada para o Barco, la em Pinheiros, e o dia 29 de junho cae numa quarta-feira. Ja sei que haverá uma mesa com Vicente Pietroforte, Mamede Jarouche e Lourenço Mutarelli. Quem quizer pode espalhar porque o boato é quente…

Data: 29 de junho de 2011, entre 19h e 22h
Local: centro cultural Barco
Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros
Phone 11-3081-6986″
Todo mundo lá!