quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Manifesto Medíocre

Eu não fui à guerra e já me sinto um derrota. Se eu sinto vergonha disso? Olhe ao seu redor, veja o mundo como está, como as coisas andam e me responda você: há sentido em alguma coisa? Há algo pelo que lutar? Acho que você já sabe minha resposta. Não há mais nada que pareça valer à pena, todas as coisas são efêmeras, tudo está no âmbito do consumo e do fútil. Até a guerra, a real, não a metafórica, não tem motivo. Já assistiu Guerra ao Terror? Eu pergunto: quem é o inimigo? Zumbiland é a metáfora dos nossos dias, estamos vivendo o caos, uns dizem que ali é seguro, outros que é acolá, mas no fundo estão todos perdidos em meio ao caos e ou você é zumbi, e vive no conforto da caça desvairada comendo seu fast food em paz, ou você ainda tenta sobreviver e se divertir um pouco, ciente de que tudo acabou e o negócio é um dia depois do outro. Sinto inveja dos zumbis, mas não quero me tornar um deles. Eu não me divirto. Tento preservar uma liberdade que não tenho e encontrar um sentido, mesmo sabendo que ele, o sentido, saiu pela porta dos fundos. E acho que estar na classe média é o que intensifica essa sensação, vivo morrendo de medo de perder o pouco de conforto que tenho, mas sem a manha, gana, empreendedorismo para virar uma grande história de sucesso e subir no ranking social. Se estou reclamando? Não. Estou constatando. Compartilhando uma visão de mundo que, por conta de uma ou outra roda de cerveja, sei que é compartilhada por muitos outros. Muitos! Alguns correm para Fazendinha, outros para cocaína. Eu não consigo, mea culpa, mantenho uma postura de desesperança esperançosa. Como se o céu fosse brilhar e realmente as coisas começassem a mudar. Como se a próxima foda fosse ser realmente mágica. Ou amanhã eu descobrisse o sentido de tudo. O nirvana sem meditação. Coisa de gordo de couro mole. Me disseram de Deus, dia desses. Mas buscar o inalcançável não seria o mesmo que cheirar, ou virar um otaku? Eu não tenho resposta, só buracos negros. Não estou sendo pessimista porque, infelizmente, não é um modo de ver o mundo, é ver o mundo como ele é, assim, sem propaganda, sem maquiagem. E é fato que muitos compartilham da minha sensação, afinal é por isso que igrejas se tornam mais poderosas que nações, que celebridades são mais adoradas que os santos, todos querem algo para amar, para acreditar, para lhes dizer que continuar vale a pena, que o sucesso é possível, que a salvação virá. Sinto inveja, inveja de seus corações tocados pela força de uma lenda para seguir, de um Obama para botar fé, de uma Madonna para lhes fazer chorar. Eu queria dizer aleluia também, com fé. Os heróis para mim não são suficientes porque acho que quem morre de overdose não tem nada para ser admirado. Sou o medíocre que foge da mediocridade e assim se torna mais medíocre. Vamos, pare de ler esse texto, não vai encontrar solução nele, ou mesmo assunto para papear com os amigos mais tarde. Ele não vai te trazer nada de bom ou ruim. Ele é só uma válvula de escape de seu produtor que não tem coragem de gritar isso na rua, ou mesmo de ficar calado. Desligue o computador, vá fazer algo, algo que realmente tenha sentido. Guarde suas pedras, elas não encontrarão mais nada aqui para machucar. Vá fazer algo por você. Se eu sei o que é? Claro que não. Se podem me convencer de algo diferente? Claro que podem tentar! Qual o náufrago que não quer uma bóia, afinal? Até tem uma que ando me segurando, ser pai ainda me mantém vivo, por ela vou indo, arriscando, mas fico olhando o mundo que ela está crescendo e me lembro do Amores Brutos... E nem poderei dizer para ela que fui mudar o mundo e falhei.

2 comentários:

Anônimo disse...

http://brontops.blogspot.com/search/label/jodorowsky

Frases pinçadas de Jodorowsky do livro "Quando Teresa brigou com Deus":


Se quer triunfar, aprenda a fracassar. Nunca se defina pelo que possui. Nunca fale de si sem conceder-se a possibilidade de mudar. Você não existe individualmente, o que você faz, os outros também fazem. Somente aceitando que não possui nada é que você será dono de tudo. Perdoe seus pais. Dê, mas não obrigue ninguém a receber. Não faça com que os outro se sintam culpados, você é cúmplice do que acontece. Descubra as leis universais e obedeça-as. Ensine os outros a aprenderem consigo mesmos. Com o pouco que tem, faça o máximo que puder. Não se pergunte aonde vai, mas avance com passos justos. Saltar é tão bom quanto rastejar: não se compare, desenvolva seus próprios valores. MUDE O SEU MUNDO OU MUDE DE MUNDO. O que é necessário também é possível. O que você vê é o que você é. Perdoe seus filhos. Não se orgulhe de suas fraquezas. As doenças são seu guia. Atue pelo prazer de atuar e não pelo resultado favorável que este ato possa lhe trazer. Não preste contas a ninguém, seja seu único juiz. Não toque o corpo do outro por prazer ou para humilhá-lo; toque-o para acompanhá-lo. Com o pouco que tem, faça o que puder.

Claudio Brites disse...

Beijos

Fazemos o que podemos.
E confesso minha cumplicidade.

Sempre víceral. Mesmo com a boca dos outros.

beijos