quarta-feira, 29 de julho de 2009

FDP.FM

Eu queria arrancar a cabeça desse escritor. Fico ouvindo ele falando no rádio, dando entrevista na televisão. Todo cheio de palavras. Chamando a literatura de madrasta. Ingrato. Só se for minha madrasta, puta. Dele é mãe. Alimenta o seu ego de vírgulas bem colocadas e capas com verniz e papel especial. Fica ai falando de viagens internacionais, de feiras literárias e folhas premiadas. Eu poderia arrancar a cabeça dele e enfiar debaixo de uma pilha de dicionários. Seu jeitinho desleixado, como quem não está nem ai para fama, as melancias cortadas e os incentivos culturais. Seu cabelo desfiado, seus olhos insuportavelmente inaverbiais. Arrancaria sua cabeça e abriria seu cérebro para colocar em praça pública espetado como asinha de franco. Esses olhos de ontem, de artista. Eu arrancava essa cabeça, mas antes mergulhava ele num tonel de aranhas pequenas que passariam por seu corpo cheio enredos, de linguagem. Deixaria ele sem verbo. E ai limparia seus ouvidos e arrancaria sua cabeça. Seu cérebro, que eu comeria um pedaço, o hipotálamo, eu acho. Escritor maldito, que fica assim na orelha, nesses centimetros, rindo de mim.

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