segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bolso é o filho da bolsa, não acredita? olhe dentro do ventre dela, eles estão lá, quietinhos...

Hoje eu li a Bolsa Amarela da Lygia Bojunga. Eu nunca tinha lido essa autora. Nome bom de pronunciar, Bojunga, parece nome de inseto raro. Quando terminei fiquei me perguntando quais vontades guardo dentro da minha mochila. Eu sempre andei de mochila. No colégio me chamavam de Jabuti. Calor ou chuva, praia ou cinema, lá estava eu de mochila nos ombros. Teve a época da moda de bolsa de carteiro, eu cedi por um tempo, mas logo voltei pra boa mochila de duas alças. Dentro um guarda-chuva, um rolo de papel higiênico, um caderno de desenho (mesmo eu não sabendo desenhar uma casinha), uma bolsinha com lápis e dados de vários formatos. Mas não me lembro das vontades que lá guardava. Estavam lá, mas só vejo a materialidade de suas cores e não consigo ouvir seus conteúdos. Elas não inflavam como as vontades de Raquel, no Bolsa Amarela, que cresciam como balões. As minha pesavam. Como bigornas. Solidificavam como pichações no tijolo. Eu terminei o livro da Bojunga e fiquei andando na praia, pensando em ser um galo voador que defende as minhas idéias e que não deixa os outros abdicarem das suas. Mas acho que as minhas idéias também estão costuradas com linha forte. Terminei o livro e lembrei que sempre fui encantado por guarda-chuvas. até tenho um livro inacabada sobre um guarda-chuva mágico. Que livro bom esse da Lygia, que delícia de combinação de palavras e algodão doce. Agradeço ao amigo Marcelo Maluf pela indicação. Eu vou ficar aqui, deitado na cama, nesse dia cinza, que eu resolvi agir como camaleão e ficar cinza também, como concreto no colchão, pensando em pipas vermelhas contra o céu cor de estanho, tentando lembrar quais são as vontades que eu guardava, ou guardo ainda, vai ver estão lá, dentro das mochilas velhas que eu nunca jogo fora. (perto das cartas de Magic que eu nem lembro como usar, magia condensada em papéis velhos, coitada).

5 comentários:

Petê Rissatti disse...

Ainda devo essa visita a Lygia Bojunga. E que as pipas vermelhas povoem seus sonhos. Bejo

Kizzy Ysatis disse...

quero ler esse livro agora, tá na minha listanegra, rs.

adoro ler o que vc escreve, sei que vou encontrar ótimas supresas como: "nesse dia cinza, que eu resolvi agir como camaleão e ficar cinza também"

assim como seus fãs um dia encontrarão, sou feliz por ser um dos primeiros

Marcelo Maluf disse...

Num disse que você iria amar?
Beijo!
Marcelo

gui-de-bauru disse...

Um guarda-chuva mágico!

Responda: as parabólicas não parecem guarda-chuvas estuporados em plena ventania?

Aí minha ideia de guarda-chuva mágico!

;)

Laura Fuentes disse...

Também tenho fixação em guarda-chuvas...amo os coloridos que alegram os dias escuros de chuva. Agora mais do que nunca, preciso ler esse livro...