quarta-feira, 23 de julho de 2008

E.L.C, segundo dia

E hoje tive companhia no encontro: Sr. Bode Roxo, Tiago Araújo, resolveu comparecer à uma das coisas que o convido. E foi bacana. O ritmo do papo ficou, como no dia anterior, no relato de experiência, o gênero de discussão, hoje o conto, ficou de pano de fundo (bem lá no fundo) mostrando como o hibridismo é tendência e que a coisa é falar de escrever. Na mesa estava novamente o Grande Irmão, Julio Daio Borges, mediando a conversa com Ivana Arruda Leite, André de Leones e Yuri Vieira.
Diferente de ontem a conversa rolou mais direta, tirando Yuri com seu repertório biográfico de vida ao lado de Hilda Hilst, os autores estavam bem práticos e com poucas interferências um no papo do outro. E só uma moça fez pergunta, a minha pergunta, e eu fiquei sem assunto.

André falou do prêmio Sesc de Literatura e do Amores Expressos, como conseguiu, com mérito próprio, galgar algum espaço e de logo ser bem tratado. Mesmo que por pouco tempo e de forma incerta, traçou metas e quer ver até quando vive do fazer literário e seus derivados, se não der volta a dar aula no cursinho. Muito pontual disse que gosta de escrever a mão e se preocupa com a formação de leitores que sofrem no modo que a literatura é apresentada nas escolas. O Goiano falou ainda de O Arco Iris da Gravidade, de Thomas Pynchon, um livro bacana e deu a dica o conto Arábia, de James Joyce, uma aula de literatura (se é ou não, o moço é bom, basta ler suas divagações no blog, então nada como dar uma conferida).

Yuri falou de sua carreira de escritor e roteirista, além de diretor. Do prêmio com o curta Espelho e de sua coleção de elogios e networking que começam pela Hilda Hilst, que teve a oportunidade de freqüentar a casa por bastante tempo e aprender muito, até emails de Millôr Fernandes com elogios e tudo o mais. Ele falou dos textos que vêm em sonhos e de que roteiristas deveriam entender melhor de literatura. Dicou ainda Hermann Hess, Dostoievski e que um escritor deve escrever, nem que seja crônicas em revistas farmacêuticas: escrever! (concordo plenamente, Ignácio de Loyola Brandão acaba de lançar a biografia dos donos da Drogaria São Paulo!). Friso ainda algo que ele disse vir de Hilst: quando ele perguntou a ela um conselho para novos autores ela sentenciou: escrever em inglês.

Ivana foi mais direta nas respostas, sua clareza eu já conhecia de outros encontros. Ela falou que prêmios são uma boa saída, André era prova disso. E não saída só para entrar no mercado, mas também para subsistência, pois como os outros autores ela confirmou que o que dá o pão é a periferia do livro e direito autoral é uma piada. Autores novos devem submeter seus textos a alguém, mas de preferência pessoas que não escrevam, que gostem de literatura, mas não escrevam, além disso confirmou o que os autores de ontem falaram de mandar seus textos para mesas de editores e escritores famosos, a coisa não rola, vai para o lixo. A questão é conhecer alguém e colocar o texto no topo da pilha.

Na hora da pergunta, com o disse, uma moça mandou logo a que eu ia fazer e guardei, junto com Bode, outras duas, pois o ar era de cansaço e o pessoal, não os autores, pareciam querer dar o fora. Sendo assim, guardamos e tivemos a oportunidade de fazê-las para Ivana na saída. A primeira foi a coisa louca que é os autores dizerem para não perdermos nosso tempo pentelhando autores conhecidos e depois dizerem que só entramos em editoras conhecendo alguém. Uma loucura! Como conhecer alguém se a coisa é não importunar? Ivana disse que esse paradoxo ela já tinha observado, com sua filha, em conversas na Mercearia. E que a coisa é chegar com jeito e tudo o mais... E a outra pergunta foi, onde estava o conto do encontro? Ela também não soube. Deu a dica de leitura o jornal literário Rascunho que em agosto trará decágolos de autores para jovens escritores que querem ser publicados.

Bode e eu decidimos que vamos dar um curso de “Marketing Pessoal para Jovens Escritores” e eu vou escrever o livro “Como conquistar e ser publicado, dicas para autores em início de carreira que não conhecem ninguém”.
Amanhã o tema é poesia, vou tentar preparar mais duas perguntas, pois vejo que a minha predileta está em voga.
Espero que o Sr. Bodesco apareça, pois assim comemos uns espetinhos antes do encontro.
Acho que é isso, o sono acumulado em alguns dias sem dormir por conta da neném não está deixando as coisas muito claras, no momento vejo uma lagartixa estroboscópica dançando salsa na frente do bonequinho do Batman que fica em minha estante de livros.
Vamos indo.
T+

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