domingo, 8 de maio de 2011

I?


A palavra busca a história que busca a palavra pra ser desenrolada. A história se evola e só ficam as palavras até que elas se tornem transparentes e possamos ver a história e o homem que caminha na rua com a sua blusa toda encharcada e as calças quase caindo pelo peso das gotas que rasgam o céu como moedas de um centavo. O homem parou de correr e agora se deixa desfazer entre o vento, a lama. Não há necessidade de dizer escuro, de falar de nuvens ou evocar a possibilidade dele pegar um resfriado, as gotas já circulam esse mundo feito de temporal, talvez seja importante evocar os trovões e os clarões que iluminam a barba negra do homem branco de olhos quase fechados por conta do peso, da ausência do guarda chuva, ou de um chapéu. O açoite não releva o cansaço, o ponto homem vai atravessando a parede natural que esmaga seus pecados, seus medos. E mesmo com todas essas palavras, com todas elas assim querendo fazer sentido a história não vem e o homem continua sendo só um homem em uma chuva, arrastados em direção do nada.

5 comentários:

Laura Fuentes disse...

A história veio sim, densa, carregada de chuva e poesia.

Ysatis, Kizzy disse...

:)

Grupo Central Editorial disse...

Parabéns pelo blog.

http://mundo-editorial.blogspot.com

Giovana Damaceno disse...

Te achei. Tô seguindo. Beijo.

Noite em Claro disse...

Como sempre, boas palavras, boa levada e ótima idéia!

abraços
www.temalgumacoisaerrada.blogspot.com