quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em direção

O pequeno corpo escorrega e cai. De pequena altura. De pequeno descuido. Cai. Os olhos perdidos na imensidão do destino da queda. A queda sem motivo. A queda sem domínio. A possibilidade da mudança. Da destruição. Do término do sorriso. Cai. Eu poderia dizer que pequeno fica o coração, pequena a alma. A culpa. Grande. Corrói antes mesmo da queda. Culpa. A queda. O Descuido. Cai. O pequeno corpo de mãos balançando.  O silêncio antes do choro. O fim do sorriso. Cai. A queda sufoca, imobiliza. A voz rouca distorce o que não pode ser desfeito. Cai. Como pode uma pequena queda? Um pequeno corpo em queda? Como pode, assim, derrubar o mundo? Desabar o universo? Uma queda. Um cai. Um choro. Todos os choros. Uma culpa. Um suspiro. Um aperto e a conclusão de que é só o primeiro: descuido, choro. A primeira queda que vai.

4 comentários:

Caio disse...

Muito, muito bom! foi o exercício da repetição?
você encaixou o "Cai" em todos os lugares certos!

parabéns!

Caio

Marina Emmanuele Garcia disse...

É nessas horas que nos falta o ar, que a ação não vem e ficamos, na maioria das vezes, atônitos.
O coração aperta de tal maneira que a única forma possível de expressar os sentimentos é através das lágrimas...
Acho que compreendo em grande parte o turbilhão de sentimentos que passou, o texto ficou muito bem escrito de forma que expressou realmente a angústia por que você e sua esposa passaram.
Contudo, fico feliz por saber que a Ana Luiza está bem!

Marina Emmanuele

André disse...

Oi, Claudio.

Desculpa invadir o seu espaço assim, mas é que eu gostaria de avisar que vai rolar o lançamento do meu livro de contos "Paz na Terra Entre os Monstros" em São Paulo, no dia 17/11, lá na Livraria da Vila (Madalena). Quando mais próximo da data, eu te mando um convite virtual e tudo. Se puder aparecer...

Abraços
André

Claudio Brites disse...

Caio,

realmente usei a repetição como instrumento, é aquela coisa, nos ensinam as ferramentas e nós vamos usando...rs... pra isso que serve oficina, né?

Marina,

a arte sai do sofrimento com mais força do que da alegria, isso, infelizmente, é fato. Mas tá tudo bem.

André de Leones,
Prêmio Sesc de Literatura e gente fina! Claro que vou!