sexta-feira, 29 de junho de 2007

Esquete Calendoscópio

Trecho da peça Calendoscópido que estou escrevendo para as crianças encenarem.

Em público

(Música Tema do Filme Titanic do Cameron. Um homem e uma mulher parodiam a cena clássica onde Leonardo di Caprio e Kate Wistley estão na proa do barco. Entra um guarda.)

Guarda - Que que tá pegando aqui? Safadeza essa em público.

(O homem desliga o radinho de pilha e a música pára.)

Homem - O dotor desculpe é que ela queria um momento romântico na bêra do cais.

Guarda - Pois o Senhor saiba que aqui é espaço público e não motel.

Homem - O dotor tem razão. Mas a gente não tava usando como motel não...

Mulher - Mas se o espaço é público, porque não podemos ficar aqui?

Homem - Amor!

Mulher - É só uma pergunta.

Guarda - O espaço é público, mas restrito.

Mulher - Ora, para quem?

Homem - Querida!

Guarda - As pessoas autorizadas.

Mulher - Então não é publico. É privado.

Homem - Vamos embora!

Mulher – Não. Quero saber. Eu sou o público, o espaço não é pra mim, é restrito, então é privado?

Guarda - É do governo.

Mulher - Ah. Então é público. Pagamos nossos impostos: podemos ficar.

Guarda - Não, não, não. Este lugar não está incluído nos impostos. Só entra quem tem autorização.

Mulher – E o que está?

Guarda – Pracinhas. Cadeia.

Homem – Ai meu Deus... Vamos!

Mulher – Eu não aceito.

Guarda - Olha minha senhora.

Homem - Sua não.

Guarda - Olha aqui Senhora dele.

Homem - Nem dele. Conheci faz uma semana.

Guarda - Olha aqui Senhora da Senhora mesma. Existem vários tipos de espaços públicos. Esse aqui não é para isso.

Mulher - Isso o que?

Guarda - Seja lá o que vocês estejam querendo tornar público.

Mulher - O Senhor está insinuando demais.

Guarda - Negativo. Só quero dizer que, aqui, só as pessoas autorizadas podem ficar.

Mulher - Como o senhor?

Homem - Chega.

Guarda - Claro. Eu guardo isso aqui. Sou funcionário público.

Mulher - Então é nosso funcionário?

Guarda - Até parece! Sou público e não DO Público.

Mulher - Ah. Entendi. Também não está incluído no pacote dos impostos.

Homem – Ai ai ai.

Guarda - Olhe. Existem coisas públicas que são para o público e existem coisas públicas que são para homens públicos. A senhora é uma mulher pública?

Mulher - Pois me respeite! Amor!? Você vai deixar assim? E diante do público?

Homem – Eu não quero saber. Você provocou. E eu não quero ficar discutindo com esse homem público, pois vai que ele me enfia numa cadeia pública... Vamos. Meu barco já afundou e essa marola está me dando enjôo. Desculpa dotor. Vamos.

(eles saem, fica só o guarda que liga o rádio, sobe na beira do cais e fica de braços aberto como Leonardo di Caprio)

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