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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A Editora, a confusão e o menino gordo

Estou com uma dor nas costas que está me tirando o ânimo.
Na verdade, muita coisa vem me tirando a vontade de limpar os ladrilhos.
Mas, vamos falar do que importa, ninguém quer saber do quanto pago de plano de saúde, não é?
O lançamento do AlterEgo foi um estouro. Caixas e caixas de livros esvaziadas. Um sucesso! (Tirando as críticas negativas em relação ao meu conto, para compensar os elogios ao outro que publiquei no Território V).
Agora, já começo a trabalhar no Galeria do Sobrenatural, recebi hoje os textos enviados pelo Silvio Alexandre.
E mesmo com dois textos ficcionais para entregar, as leituras e trabalhos do mestrado e a insanidade de pegar mais projetos do que meus dedos permitem, eu ainda arranjo um tempinho para ler por diversão e fujo hora ou outra para O Prédio o Tédio e o Menino Cego, do Santiago Nazarian, que está remoendo os meus fantasmas, mas depois digo o motivo; e também para o A Espinha Dorsal da Memória, do Bráulio Tavares, que já está na lista dos meus escritores favoritos, o conto Sympathy for the Devil é uma das coisas mais saborosas que já li.
Fiquem atentos ao blogue dos Escritores de Segunda e ao Fim do Mundo, sim, logo logo...
PS: a capa do Galeria para vocês...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Lançamento Alterego



Prezados Todos, e mais um projeto nosso sai da virtualidade enigmática das possibilidades e se imprime em offset 90 gramas. AlterEgo, seleção de contos organizada por Octavio Cariello. O lançamento ocorre na sempre receptiva Livraria Martins Fontes, que está ali perto do metrô brigadeiro, Avenida Paulista, 509. Das 15h30 até 18h30. Lá fecha cedinho, de sábado.

No time, temos: Roger Cruz, GianDanton, Weberson Santiago e Marcela Godoy, entre outros de igual talento.
Apareçam, prestigiem, comprem (claro).
Abraços e nos vemos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De papos e editoras ou a literatura precisa de dentes

Eu tinha um amigo que queria ser correspondente de guerra. Não era um Amigo, um colega no curso de comunicação, que logo que eu terminei com uma namorada partiu para cima dela, mas não conseguiu nada. E nem virou enviado de guerra, estava, da última vez que o vi, no site sobre futebol. Tanto esse cara, quanto outros no curso de comunicação tinham uma energia que eu invejava, queriam desbravar o mundo, tornarem-se âncoras pops dos melhores jornais e colunistas dos cadernos mais respeitados. E eu lá, no meio, todo comedido pensando que a única coisa que queria era poder contar as minhas histórias, compartilhar minhas insanidades e pagar as contas do mês. Eles queriam mudar o mundo, não mais com aquela visão marxista do jornalista sinônimo de esquerda, o mundo seria mudado de dentro para fora, seus mundos. Então saí do curso de comunicação, sem dinheiro para bancá-lo e fui fazer Letras. Logo senti que a energia dava lugar para um ambiente quase de gesso. Estudantes bem mais velhos que eu, almejando o funcionalismo público, dar aula na rede, na prefeitura de preferência e nunca mais se preocupar em procurar emprego. E eu só querendo escrever, compartilhar meus textos e aprender lidar com a palavra de forma mais de bom trato. Desiludido, percebi que o jeito era buscar sozinho e encontrei as oficinas literárias e o blogue. Meu blogue. Meu palanque, mesmo que ninguém estivesse ouvindo, os textos saiam das gavetas e ficavam mais reais. Não foi fácil. E por que estou falando tudo isso?

No dia 3 de setembro fui com Nelson de Oliveira, Laura Fuentes e Andréa Del Fuego (sim, dividi espaço com André Del Fuego e nem tirei uma foto, de chorar...) bater um papo com alunos do 3° anos do curso de jornalismo, na PUC São Paulo. Fomos a convite do jornalista e escritor Wladyr Nader, atual coordenador do curso, que nos pediu para papear com os alunos sobre o Blablablogue e sobre nossa jornada literária. Um grupo bem diferente daqueles que citei lá no começo, menos enérgicos, mais contemplativos. Talvez pela chuva, pelo ar condicionado. Mas foram atenciosos, mesmo que lendo seus emails particulares, ficaram ali percebendo nossas palavras. Falamos da biografia de nossos blogues, das motivações para postar, dos temas, das idiossincrasias que só um escritor tem. Ou acredita ter, não sei.

No papo, pude perceber que ando mais certo de algumas coisas que digo do que imaginava e que outras não tem sentido algum. Mais certo que mesmo que eu tente, esse caminho de literatura e falta de sono já é o meu caminho e gosto mesmo é de falar disso. Como disse o Nelson, nossa bolha dentro desse mundo caótico. Mas certo também que a maioria das pessoas não está nem aí para isso, cada um com seu fardo, que a literatura soa como algo pouco prático numa era pós-aquário. É como falar de vitrolas, mesmo que ela esteja se manifestando em blogues, celulares. É como se ela precisasse desses suportes para não desaparecer, como uma senhora que ainda tenta usar roupas de garota, fazer plástica... Entrei num barco já com o casco furado, mas vou naufragar sorrindo, se isso acontecer, pode crer.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

escritor Kizzy Ysatis e Liz Vamp são agredidos na casa A Lôca em São Paulo

Amigos, o dia começou com essa triste notícia, logo cedo falei com o próprio Kizzy, ele só pedia para que não deixassem de denunciar. E foi o que fiz o dia todo. Ligando para veículos de mídias e mandando emails para amigos e pessoas que tem voz no mundo real e virtual.
Nem posso dizer a dor que senti, quando vi a matéria do G1. O Kizzy e eu somos irmãos, como todo irmão nós brigamos e nos abraçamos logo em seguida, estamos bem e mal, damos furos um com o outro, mas sempre um tenta cuidar do outro e aqui é a minha vez.
Ajudem a denunciar, cliquem na notícia, comentem e divulguem. Isso não pode ficar assim. Não pode ser mais uma história de impunidade. Conto com a ajuda de vocês.

Duas publicações, uma desculpa e um axioma

A primeira foi a revista Zunái, um meu conto selecionado por Nelson de Oliveira e Claudio Daniel, leia clicando aqui.

A segunda foi um convite peculiar, um site onde só mulheres escrevem e homens que quiserem entrar devem vestir saia. Criei um pseudônimo e lá está minha publicação, na edição 36 do site. Leia clicando aqui.

Alunos do curso do 3° ano de jornalismo da PUC, prometi um post sobre nosso batepapo ainda hoje, mas sou um senhor de idade que tomou muita chuva. Vou dormir e amanhã cuido disso. Mas, de hora, é para aprenderem a nunca confiarem em blogueiros.

E finalizo com a frase do dia: O escritor é um suícida sem coragem.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

pára, que eu quero descer

chorar é assim uma coisa que a gente faz em semana sem festa. ou em dia de quermesse e promessas de casamento. chorar é assim uma coisa que vem da língua, entre os dentes e da mão no rosto. chorar é uma coisa assim que a gente ou assume ou disfarça, não tem meio caminho, meia lágrima. chorar é a força que nos mantém mais humanos, mas que evidencia que não estamos preparados para raspar os olhos no concreto e portar maletas de couro e cargos importantes. chorar é aquilo que fazemos quando somos injustos com quem amamos, quando topamos um desafio maior do que podemos carregar nas costas que começam a doer enquanto você vê do oitavo andar a chuva se fazendo sobre a cidade, um cinza de corbertor, vindo na direção da sua janela que se torna turva por fora também. chorar é aquilo que eu peço a Deus para me permitir fazer quando a secura da garganta embaralha minha fisiologia e me faz duvidar se ainda existe ar pra molhar os pulmões. chorar é isso aqui, pingo de letras, das pontas dos dedos de minha convulsão na impossibilidade de ser, ao menor, um crocodilo.

***

São todos macacos conduzindo burros.
E eu, um rato sondando a metafísica.