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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Livros

Uma amiga escreveu essa frase que gostei muito em seu blogue, caiu bem com as revisitadas que tenho feito à coisas que publiquei. Um outro amigo que está reescrevendo um romance já publicado... A questão dela não é se devemos mudar o que foi registrado, isso cada um escolhe, é mais o pensamento de porque isso se dá, aí vai:
Acho que os livros são como fotografias, que captam as cores de um momento. A paisagem muda, o fotógrafo muda, então em outro momento, a foto vai mesmo sair diferente. E por isso os livros são tão especiais, porque registram alguém que fomos. E cores que já morreram.
Mariana Santos

quarta-feira, 29 de julho de 2009

FDP.FM

Eu queria arrancar a cabeça desse escritor. Fico ouvindo ele falando no rádio, dando entrevista na televisão. Todo cheio de palavras. Chamando a literatura de madrasta. Ingrato. Só se for minha madrasta, puta. Dele é mãe. Alimenta o seu ego de vírgulas bem colocadas e capas com verniz e papel especial. Fica ai falando de viagens internacionais, de feiras literárias e folhas premiadas. Eu poderia arrancar a cabeça dele e enfiar debaixo de uma pilha de dicionários. Seu jeitinho desleixado, como quem não está nem ai para fama, as melancias cortadas e os incentivos culturais. Seu cabelo desfiado, seus olhos insuportavelmente inaverbiais. Arrancaria sua cabeça e abriria seu cérebro para colocar em praça pública espetado como asinha de franco. Esses olhos de ontem, de artista. Eu arrancava essa cabeça, mas antes mergulhava ele num tonel de aranhas pequenas que passariam por seu corpo cheio enredos, de linguagem. Deixaria ele sem verbo. E ai limparia seus ouvidos e arrancaria sua cabeça. Seu cérebro, que eu comeria um pedaço, o hipotálamo, eu acho. Escritor maldito, que fica assim na orelha, nesses centimetros, rindo de mim.

Literatura é claustro.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Há vagas

No fundo No Fundo Ninguém Sabe Tudo

O que vale mais, ver a verdade de uma platéia vazia, ou pagar figurantes para enchê-la?
Quer máscaras? Na 25 de Março os camelos agradecem aos porcos a nova onda a lá MJ. Compre a sua! Duas por UM?
Deixem os deprimidos com suas depressões e os oprimidos com suas ausências, lhes entregue um papel e um lápis, que desenhem, que escrevam, mas não aceitem terapia ou remédios, estes matam a obra prima, percebe?
Como um rasgo de alguns centímetros, ou um orifício, pode ser o único motivo pra viver, ou deixar de?
Ninguém é. Todo mundo foi, está sendo, ou será. Ser, no presente, é uma afirmação tola logo de início, não acha?
O que é o sucesso?
O que você compraria para ser mais feliz?
A mão que afaga é a mesma que pede o cartão de crédito e tranca a porta sem te convidar pra sair. Que saudade das pedras, não?
Eu não sou ninguém. Quem te comeu?


quinta-feira, 23 de julho de 2009

) - (

contar histórias ou inventar palavras?
linguagem ou enredo?
onde encontro o equilíbrio?
ele precisa exisitir?
em qual time estão os bestsellers?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

a la carte ou estou gripado e de cama

A tristeza é um prato com carne, ovos e semente. Carne e seu cheiro de defunto, mesmo que bem passada. Carne porque toda tristeza evoca a morte. Seja como fim, ou como meio. O triste, às vezes, acha que só com a morte a coisa se finda. Ovos, com o que eles têm de meleca, de promessa não cumprida. Nenhum ovo nasceu para ser frito e sim para ser frango. O ovo no prato é essa promessa desfeita e como toda promessa tem um quê de ranço. E o ovo também tem o amarelo da gema, amarelo tem um pouco de tristeza. Tristeza presente, que se espalha. O amarelo é presente e espalhante. E o amarelo é alegre. Toda tristeza é um hiato entre duas alegrias. Ou o passado de uma alegria que nunca vai voltar. E semente, que tem um pouco de ovo, de promessa não cumprida, de carne, porque não é bem digesta e de trabalho. Porque toda tristeza é o rastro de um trabalho que se fez angústia, que se faz cinza. E a semente é, se tirada do prato, ao contrário do ovo, possível de ser resgatada, plantada. Se cair do prato em solo fértil, a semente pode gerar vida, ainda. A tristeza é assim, um pouco de esperança também de que no fim toda doença acaba, todo medo se esvai, todo desgosto apequena. Já dizia meu pai, o tempo é o melhor amigo do homem e suas dores.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estreando a tira: "e ponto"


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bolso é o filho da bolsa, não acredita? olhe dentro do ventre dela, eles estão lá, quietinhos...

Hoje eu li a Bolsa Amarela da Lygia Bojunga. Eu nunca tinha lido essa autora. Nome bom de pronunciar, Bojunga, parece nome de inseto raro. Quando terminei fiquei me perguntando quais vontades guardo dentro da minha mochila. Eu sempre andei de mochila. No colégio me chamavam de Jabuti. Calor ou chuva, praia ou cinema, lá estava eu de mochila nos ombros. Teve a época da moda de bolsa de carteiro, eu cedi por um tempo, mas logo voltei pra boa mochila de duas alças. Dentro um guarda-chuva, um rolo de papel higiênico, um caderno de desenho (mesmo eu não sabendo desenhar uma casinha), uma bolsinha com lápis e dados de vários formatos. Mas não me lembro das vontades que lá guardava. Estavam lá, mas só vejo a materialidade de suas cores e não consigo ouvir seus conteúdos. Elas não inflavam como as vontades de Raquel, no Bolsa Amarela, que cresciam como balões. As minha pesavam. Como bigornas. Solidificavam como pichações no tijolo. Eu terminei o livro da Bojunga e fiquei andando na praia, pensando em ser um galo voador que defende as minhas idéias e que não deixa os outros abdicarem das suas. Mas acho que as minhas idéias também estão costuradas com linha forte. Terminei o livro e lembrei que sempre fui encantado por guarda-chuvas. até tenho um livro inacabada sobre um guarda-chuva mágico. Que livro bom esse da Lygia, que delícia de combinação de palavras e algodão doce. Agradeço ao amigo Marcelo Maluf pela indicação. Eu vou ficar aqui, deitado na cama, nesse dia cinza, que eu resolvi agir como camaleão e ficar cinza também, como concreto no colchão, pensando em pipas vermelhas contra o céu cor de estanho, tentando lembrar quais são as vontades que eu guardava, ou guardo ainda, vai ver estão lá, dentro das mochilas velhas que eu nunca jogo fora. (perto das cartas de Magic que eu nem lembro como usar, magia condensada em papéis velhos, coitada).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Leia isso aqui, que o dia está amanhecendo e eu vou dormir

Ela sempre deita antes de mim e adormece. Eu chego e ela já virou ontem. Então eu me coloco no canto da cama e penso em não comprar mais presentes de natal. Voltar para noites de cavalgada, de anos oitenta e garotas suadas sem nome. Saber o nome foi o problema. Perguntar, me encantar. Todo mundo é muito carente, não dá pra dar atenção. Mostras os dentes. Melhor a mentira, a maquiagem, o descompromisso, a falta de contas de luz. Quando eu estou aqui eu vivo esse momento lindo, eu caí nessa. No vem viver outra vez ao meu lado, caí. Ah, insensatez... Não devia ter me desligado dos videogames e me entregado à vida protocolada. Antes a falta de sexo era só incapacidade, amor, de ser um cara legal. Ou falta de dinheiro pruma cama qualquer. Era uma sensação de comida fora da jaula, do grande leão. Se te pego te mato! Hoje a porta está aberta, mas a comida está fria e o gatinho banguelo. E não tem megera na história não, amor. Não. A mocinha foi domada. E a vontade pelo chicote virou filme. Eu entendo seu lado, entendo o ônibus caro. Entendo o cliente exigente, amor. Entendo o banho frio que relaxa e o sono. Entendo você dormir antes de mim, amor. Eu tão bicho da madrugada. Tão fora dos seus horários. Eu que fico olhando seu corpo e pensando se o civil nos permite estupro. É, eu ainda tenho tesão em você. Nas suas curvas menos fechadas, mas ainda caminhos de voltas demoradas. Eu ainda quero essa boca que eu cansei escavar. Esses olhos fechados que eu costumo fazer chorar, só pra me sentir ator de novela. Esses cabelos que eu conheci negros e lisos. Ainda quero, amor, mesmo que com a luz mais discreta, pra esconder nosso corpo que já não é tão brasa, mora. E você ai, dormindo, exausta. Para acordar amanhã cedo e dizer que eu deixei você dormir. Que deveria ter te acordado. Seu sono de esfinge: me acorda e te devoro. Não devora. Não mais. Dá uma mordida, de vez em quando. Só.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ele está no meio de nós.

Nunca tinha feito clipping de notícia aqui. Mas não tinha como deixar passar essa. Para quê literatura?
08/07/2009 - 21h18
Bar em Cabedelo (PB) recebe visitantes para ver "imagem" de Michael Jackson
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
Uma imagem na parede de um bar em Cabedelo (28 km de João Pessoa, PB) tem atraído novos clientes. A dona do bar, Ilza Neves Ferreira, 44, diz que marcas escuras em uma das paredes do imóvel formam o rosto do cantor Michael Jackson, morto há duas semanas.
As suspeitas foram o bastante para chamar a atenção de muita gente. Ferreira diz que 3.000 pessoas passaram pelo bar entre ontem e hoje para ver a tal da imagem. "As pessoas fazem fila, tiram fotos", afirmou.
Ontem, por volta das 18h30, a filha a chamou para ver a parede da sala, ao lado da televisão. Tinha acabado de chover. "As marcas da água formaram o rosto dele. Parece que ele está nos olhando", disse.
Fã de Michael Jackson desde os 12 anos, Ferreira diz que ficou muito emocionada quando viu a imagem e que chorou sem parar. "É inexplicável", conta a dona do bar, que diz preferir a primeira fase de Michael Jackson e adorar a música "Ben".
Sobre o aumento do movimento em seu bar, Ferreira atribui ao boca a boca e à curiosidade dos moradores de Cabedelo e João Pessoa. Ela diz que vai manter o bar aberto amanhã e que não pensa em cobrar pelas visitas.
No Youtube, vídeos extraídos de uma reportagem da CNN mostram um suposto vulto caminhando pelo rancho Neverland --residência do cantor durante muitos anos--, na Califórnia (EUA).

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Suspiros

Preguiça amarelada Diagramar livros me dá uma tristeza. Saber que tem tanto texto bom, histórias fabulosas, mas que poucos vão ler. Mesmo que se torne um best-seller, ainda será pouco. No momento trabalho no Território V e no Contos Imediatos, seleção de contos de FC, organizada por Roberto de Souza Causo, que tem textos deliciosos. Dois livros que tenho o prazer de editar. Portais para lugares incríveis e que poucos irão visitar, infelizmente.

Assim como os livros são os cursos. As pessoas perguntam porque investir numa editora, numa escola de arte. Eu sempre adorei ler e fazer cursos. São momentos cheios de magia pura, em que sinto o porque encarnei por estas bandas. Os professores não sabem mais do que os alunos, mas os bons professores, desses que tenho juntado nos cursos, eles dispertam olhares, acendem lâmpadas. Mergulhei nessas veredas pois só podemos vender aquilo que acreditamos, gostamos, etc. E com os cursos sinto a mesma melancolia que sinto com os livros. A culpa é um pouco da nossa divulgação, ainda pequena. Talvez do valor. Se eu pudesse oferecê-los de graça, os que participaram das oficinas gratuitas no passado sabem, se eu pudesse ofereceria. Mas as pessoas tem que comer. Comprar livros.

Por que esse desabafo? Medo de falir? Etc? Não. Emprego sempre vou ter. E não ganho nada com esses cursos e livros. Se meu interesse fosse simplesmente dinheiro venderia cursos de vendas e livros de auto-ajuda. Não. Os cursos e os livros tem o preço exato, nem menos nem exploração. Falo para que os pouquíssimos que aqui frequentam saiabam que se não leram nossos livros e não participaram de nossos cursos estão perdendo momentos cheios de metafísica. Momentos que oferecem muito mais do que é cobrado por eles. E para aqueles que os frequentam e os leem, é um convite, nos ajudem a divulgar mais e mais e criar uma tribo que saiba do que estou falando.

abraços

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cursos de Férias no Espaço Cultural Terracota

Fiquem atentos: http://terracotaeditora.blogspot.com

sexta-feira, 3 de julho de 2009

http://www.letteralibris.com.br

No projeto Lettera Libris, grandes autores têm sua obra difundida, discutida e reavivada.
O projeto é de Marne Lucio Guedes, Nelson de Oliveira, professores do Curso de Criação Literária da Terracota editora e do empresário Ricardo Josuá.
Dois programas já estão prontos: Clarice Lispectos e Lygia Fagundes Telles.
O próximo, sobre Manuel Bandeira, está sendo gravado esta semana, direto da FLIP 2009.
Escutem aqui: Lygia e Clarice
"o destino dos escritores, acho que é esse, brilham um pouco, tal, e desaparecem."
Lygia Fagundes Telles
"deus vomitará os mornos. eu não quero estar nesse vômito"
Lygia Fagundes Telles

no Rio saiu a zica e nasceu o blog da Terracota!

nada como um banho de mar pra mandar a zica passear. pelo menos foi isso que disse meu amigo Marcelo Maluf, lá no Rio de Janeiro, antes do lançamento do BLABLAblogue. eu acreditei e não me arrependi. mas para mim a zica já tinha ido embora quando entrei no avião. nem passei mal na minha primeira viagem alada. foi legal. quando aquilo bota pra correr e você acha que não vai levantar. espero nunca perder os olhos de novidade sobre as coisas, pois a maioria nem olha mais pela janelinha. eu olhei. o tempo todo. mas não vi muito. era de madrugada.
a zica passou. o lançamento foi show e tudo acabou bem.
e só tenho o que agradecer ao escritor Fábio Fabrício Fabretti, que nos recebeu em sua casa, seu pequeno apartamento no Copacabana Palace. gratos. da próxima vez, é importante que os seguranças saibam que somos convidados...
e iemanjá mandou embora a zica. e beijos aos cariocas e aos taxistas.
renovado, em São Paulo. (com um pouco de saudade do mar). apresento o blogue da Terracota. editora, estava muito difícil manter o site atualizado. muito complexo. zica que não tinha banho de mar que adiantasse. agora a coisa muda. lá vocês vão ter a informações atualizadas com mais velocidade. vão saber o que está acontecendo, ver as fotos do evento. ouvir podcasts. videos dos bastidores e tudo mais que o blogue facilita e agiliza e etc e divulguem. coisa de banho de mar, que limpa as id(e)éias.
sábado é aniversário da minha filhota. mas antes acho que ainda apareço por aqui. pra falar. murmurar, resmungar...