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domingo, 27 de julho de 2008

Pé de Cachimbo

Final de semana finzalizando e dou cá uma passadinha para colocar uma lista de blogs onde os autores do Anndo Domini andam falando sobre o lançamento:
http://mundonergal.blogspot.com/ - Helena
http://www.raphaeldraccon.com/blog/?p=121 - Raphael
http://www.mundosdemirr.com/blog.php - Claudio Villa
http://www.untitled.com.br/ - Sérgio
http://prancheta10.blogspot.com/ - Rafael
http://perdendolacabeca.blogspot.com/ - Ademir
http://mmccantinho.blogspot.com/ - Monica
http://blog.grinmelken.com.br/ - Leandro
http://www.lunivremia.blogspot.com/ - Hanna
E ainda a matéria fantástica que Robeto Causo escreveu para o Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3031298-EI6622,00.html
E vamo indo.
T+
(Que post feio)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ELC, o GRANDE final.

Os últimos serão os primeiros, bem batido isso, mas funcionou. A fala desta sexta-feira do Encontro de Literatura Contemporânea organizado pelo Digestivo Cultural na Casa Mario de Andrade teve um final de primeira. Elisa Buzzo, Fabrício Carpinejar e Antonio Prata fizeram o arroz feijão preparado por Júlio Daio Borges ter um sabor danado de bom. Mesmo nosso Grande Irmão mantendo as rédeas curtas a conversa teve um sacomolejo de primeira. A crônica foi muito bem tratada no papo. Nem na oficina que eu fiz com o Joaquim Ferreira e com o Arthur Dapieve ela foi tão esmiuçada, invadida, a safada.
Começou por Antonio Prata que a definiu como “Épico do Mínimo”. No seu papo cheio de humor e certezas disse que escreve desde sempre, não vive de livros e crônicas, mas de matérias e artigos para revistas conhecidas. “As idéias vêm do choque entre dois assuntos que não tem nada haver”. Quando Júlio perguntou das influências que sofreu de seus pais, o pai nada menos que Mario Prata, o moço respondeu que influência é uma palavra muito fraca “os caras me ensinaram a falar e andar!”. Observou ainda que: tem gente que vê a literatura como Cebion, quanto mais escritores (água) é como ela diluísse. Prata desfez um paradigma que trago há anos, de que a crônica não vem de cronos como dizem e sim de Corona, Coroa, pois o cronista escrevia para o rei, o que ele via no dia-a-dia. Falou ainda que não existe esse papo dela ser brasileira, há crônica no mundo todo.
E Carpinejar mandou que “fugir das influências dos pais é a maior forma de ser influenciado por eles”. Carpinejar é um cara ímpar. Simpático e talentoso realizou praticamente uma performance durante a reunião cotando que morar ao lado de um terreno baldio foi uma das suas maiores influências, pois o escritor compõe seu maquinário de ser a partir do lixo dos outros, é um coveiro de animais... Poeta, o organizador do Curso de Formação de Escritores da Unisinos mostrou que domina o estar em público como poucos. Falou dessa ânsia em confundir gerações com turminhas e que nessa catalogação alguns autores se perdem. O escritor tem que ser ávido, fofoqueiro e na crônica ele perde a neutralidade. Esquematizou que o conto tem uma história visível e uma invisível, Marcelino chama de sombra; a crônica torna o invisível visível logo de cara, evoca uma estranheza e o autor, mesmo usando um personagem, toma um partido diante das coisas e diz. Crônica é a literatura sem suspensório e quando é falsa morre ao ser publicada em livro.
Elisa Buzzo, pela formação mais jornalística, foi o ponto de equilíbrio na mesa. Receosa nas afirmações que caiam mais para o mundo jornalístico, já que nessas Carpinejar levantava da cadeira, a poetisa fortaleceu a briga de foice que sempre houve por esse gênero. Não que Elisa tenha tomado algum dos partidos. Ficou ali, questionando tanto quanto Júlio.
Da crônica Carpinejar e Prata falaram que muito do que tem aí não é crônica, é artigo, coluna. A crônica é o espaço da literatura no jornal e a necessidade de pegar um gancho com a notícia tem feito ela se perder. “A crônica é o que não é e nunca será notícia”, cantou Carpinejar, “é uma hermafrodita da literatura”, surgiu dentro do jornal mas não é jornalística, filha da ineficiência é uma embaixadinha literária, completou Prata. O Moço de Caxias do Sul ainda falou que o cronista que quer ser unânime não é cronista, me fazendo lembrar do caráter marginal que Nelson de Oliveira atribui a literatura.
Com histórias e ilustrações dignas de reprise é muito difícil descrever a mesa mais amarela de todas, assim como os óculos abelhão do Carpinejar. É um daqueles momentos que só vivendo mesmo. Sr. Brontops e Tiago Bode me acompanharam e concluímos que foi um dos melhores bate-papos sobre literatura que já presenciamos. A melhor opção é ouvir o mp3 no site do Digestivo.
Finalizo com a resposta que Carpinejar deu para o Bodosco quando ele perguntou da dita necessidade de humor na crônica nacional:
“Eu dou risada no desespero. Tem horas que você ta tão fudido que nada mais te magoa. É o otimismo que vem do fundo do poço”.
Nossa! E pena que acabou.
T+

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dia Danado

As coisas andam muito estranhas. Nós queremos que as coisas aconteçam e quando elas acontecem não sabemos bem como agir. Acredito que para isso não tenha manual e o que posso fazer é agradecer e continuar, de boa, sempre.
Eu nem sei bem o que dizer, o dia esteve recheado de surpresas: o vencedor do prêmio SESC de literatura, Andre de Leones, falou algo sobre o Encontro de Literatura Contemporânea de ontem no seu blog, que você pode ouvir no site do Digestivo, e ainda citou o relato que fiz sobre o evento, que coisa! ... Mas a surpresa maior veio da escritora Ivana Arruda Leite, seu texto no blog me deixou bobo e maravilhado. Quando o Tiago Bode ligou contando eu confesso que não estava preparado para o conteúdo das palavras que começam com o título "Coisas que emocionam de verdade".
(Talvez não seja “hype” ficar bobo e maravilhado, mas no dia que perder os olhos de espanto de quando era moleque e a sinceridade em agradecer e me sentir lisonjeado, neste dia me internem. Sou assim, sempre fui, todos sabem que não sei esconder admiração e respeito e não sei deixar de ficar vermelho quando alguém me passa um elogio, afinal vivo achando que estou falando besteira... Fazer o quê? Nunca fui “hype”...)
Além disso, escavei alguns posts sobre o lançamento do Anno Domini e encontrei coisa muito bacana, os autores apreciaram o trabalho e a noite de lançamento. Leandro Radrak disse coisas tão bonitas, que nem minha mãe fala e Claudio Villa trouxe um tom gratificante.

Depois de uma manhã azeda, de febre, a tarde foi de conversa e planos e a noite de cuidados com A Pequena e não pude ir ao encontro de hoje na Casa Mario de Andrade, mas o Bode foi, só, acreditem. Amanhã estarei lá para ver Antonio Prata, Carpinejar e Elisa Andrade Buzzo falando do que mais gosto: Crônicas. Mesmo tendo praticado pouco nos ínterins dos últimos dias. Na verdade tenho falado muito de escrita e praticado quase nada, desse jeito viro um editor, crítico! escritor que é bom... (Se bem que assim ganhava alguma coisa)
Té+ e amo vocês.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

E.L.C, segundo dia

E hoje tive companhia no encontro: Sr. Bode Roxo, Tiago Araújo, resolveu comparecer à uma das coisas que o convido. E foi bacana. O ritmo do papo ficou, como no dia anterior, no relato de experiência, o gênero de discussão, hoje o conto, ficou de pano de fundo (bem lá no fundo) mostrando como o hibridismo é tendência e que a coisa é falar de escrever. Na mesa estava novamente o Grande Irmão, Julio Daio Borges, mediando a conversa com Ivana Arruda Leite, André de Leones e Yuri Vieira.
Diferente de ontem a conversa rolou mais direta, tirando Yuri com seu repertório biográfico de vida ao lado de Hilda Hilst, os autores estavam bem práticos e com poucas interferências um no papo do outro. E só uma moça fez pergunta, a minha pergunta, e eu fiquei sem assunto.

André falou do prêmio Sesc de Literatura e do Amores Expressos, como conseguiu, com mérito próprio, galgar algum espaço e de logo ser bem tratado. Mesmo que por pouco tempo e de forma incerta, traçou metas e quer ver até quando vive do fazer literário e seus derivados, se não der volta a dar aula no cursinho. Muito pontual disse que gosta de escrever a mão e se preocupa com a formação de leitores que sofrem no modo que a literatura é apresentada nas escolas. O Goiano falou ainda de O Arco Iris da Gravidade, de Thomas Pynchon, um livro bacana e deu a dica o conto Arábia, de James Joyce, uma aula de literatura (se é ou não, o moço é bom, basta ler suas divagações no blog, então nada como dar uma conferida).

Yuri falou de sua carreira de escritor e roteirista, além de diretor. Do prêmio com o curta Espelho e de sua coleção de elogios e networking que começam pela Hilda Hilst, que teve a oportunidade de freqüentar a casa por bastante tempo e aprender muito, até emails de Millôr Fernandes com elogios e tudo o mais. Ele falou dos textos que vêm em sonhos e de que roteiristas deveriam entender melhor de literatura. Dicou ainda Hermann Hess, Dostoievski e que um escritor deve escrever, nem que seja crônicas em revistas farmacêuticas: escrever! (concordo plenamente, Ignácio de Loyola Brandão acaba de lançar a biografia dos donos da Drogaria São Paulo!). Friso ainda algo que ele disse vir de Hilst: quando ele perguntou a ela um conselho para novos autores ela sentenciou: escrever em inglês.

Ivana foi mais direta nas respostas, sua clareza eu já conhecia de outros encontros. Ela falou que prêmios são uma boa saída, André era prova disso. E não saída só para entrar no mercado, mas também para subsistência, pois como os outros autores ela confirmou que o que dá o pão é a periferia do livro e direito autoral é uma piada. Autores novos devem submeter seus textos a alguém, mas de preferência pessoas que não escrevam, que gostem de literatura, mas não escrevam, além disso confirmou o que os autores de ontem falaram de mandar seus textos para mesas de editores e escritores famosos, a coisa não rola, vai para o lixo. A questão é conhecer alguém e colocar o texto no topo da pilha.

Na hora da pergunta, com o disse, uma moça mandou logo a que eu ia fazer e guardei, junto com Bode, outras duas, pois o ar era de cansaço e o pessoal, não os autores, pareciam querer dar o fora. Sendo assim, guardamos e tivemos a oportunidade de fazê-las para Ivana na saída. A primeira foi a coisa louca que é os autores dizerem para não perdermos nosso tempo pentelhando autores conhecidos e depois dizerem que só entramos em editoras conhecendo alguém. Uma loucura! Como conhecer alguém se a coisa é não importunar? Ivana disse que esse paradoxo ela já tinha observado, com sua filha, em conversas na Mercearia. E que a coisa é chegar com jeito e tudo o mais... E a outra pergunta foi, onde estava o conto do encontro? Ela também não soube. Deu a dica de leitura o jornal literário Rascunho que em agosto trará decágolos de autores para jovens escritores que querem ser publicados.

Bode e eu decidimos que vamos dar um curso de “Marketing Pessoal para Jovens Escritores” e eu vou escrever o livro “Como conquistar e ser publicado, dicas para autores em início de carreira que não conhecem ninguém”.
Amanhã o tema é poesia, vou tentar preparar mais duas perguntas, pois vejo que a minha predileta está em voga.
Espero que o Sr. Bodesco apareça, pois assim comemos uns espetinhos antes do encontro.
Acho que é isso, o sono acumulado em alguns dias sem dormir por conta da neném não está deixando as coisas muito claras, no momento vejo uma lagartixa estroboscópica dançando salsa na frente do bonequinho do Batman que fica em minha estante de livros.
Vamos indo.
T+

terça-feira, 22 de julho de 2008

Encontros de Literatura Contemporânea, primeiro dia

Começou hoje, organizado pelo Digestivo Cultural, o ciclo de debates: ENCONTROS DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA na Oficina da Palavra na Casa Mario de Andrade.
Sem avisar, pelo menos para mim, mudaram os convidados que o programa prometia. Para hoje estavam Michel Laub, Daniel Galera e Luis Eduardo Matta. Somente o último apareceu junto com Miguel Sanches Neto e Flávio Izhaki. Não que o encontro tenha perdido, nada disso, o papo apresentou três escritores na ativa com realidades bem distintas e um relacionamento com o mundo editorial diferente. Acho que deveria ter sido informada a mudança, minha primeira vez lá e senti falta de uma satisfação.
Miguel Sanches falou de sua experiência de mais tempo, com a primeira publicação no começo da década de noventa, o funcionário público disse acertado, com uma clareza curitibana, sobre a realidade de estar fora do eixo Rio São Paulo e como foram seus acertos, ou não, apostando na literatura memorialista, romance histórico e trama policial. A literatura para ele se constrói, o ofício, por tempo de serviço, com isso que vai se ganhando espaço, respeito etc. Suas palavras carregavam uma relação religiosa com o fazer literário que divide espaço com sua carreira de professor universitário. Fiquei muito curioso para conhecer sua obra que vai da poesia ao romance e tudo o mais. Ele disse ainda que se deve tomar cuidado com o que publicamos na internet nessa ansiedade louca por escrever e ser lido, nem sempre o que vai postado está pronto e ai alguém pode ler...
Flávio Izhaki fez coro com Miguel em muitos pontos e contou que seu rendimento vem de leituras e copydesk, é da periferia do livro que se vive, já dizia Marcelino. O livro de Flávio esteve em muitos braços, mas foi numa editora de pequeno porte, Editora Guarda-Chuva, que encontrou abrigo. Miguel e ele falaram da importância de ter um livro pronto, na mão, porque a sorte é fator comum na história literária deles e não ter algo para apresentar na hora certa é complicado. (Eu chamo isso de escritor de livro algum...) Falaram ainda da importância de contatos no mundo dos livros. Miguel teve que escrever crítica literária durante muito tempo para conseguir abrir espaço e Flávio ainda está colocando os degraus.
No meio dos dois, o mais velho e o mais novo, estava o irreverente Luis Eduardo Matta, o LEM. Com sua filosofia sobre a importância de uma literatura mais popularesca, e da melhor formação do público leitor ele defendeu o thriller, falou como começou bem cedo, aos 17, publicando um romance por uma editora forense e contou que é um otimista porque as editoras estão mais profissionais e não é mais tão difícil publicar, o problema é ser lido.
As perguntas, feitas por Julio Daio Borges, do Digestivo, ficaram nas mais básicas: sua história, suas influências, sua dica aos jovens, etcetera e tal, mas que os autores conseguiram esmiuçar e mandar muito bem.
Algumas coisas que eles papearam: dificuldade em divulgar o primeiro livro; a necessidade dos contatos; luta contra ansiedade em apresentar logo o que escreveu; estar pronto para fazer trabalho de divulgador da sua obra; evitar enviar seus originais à autores consagrados sem prévia autorização, pois vai para o lixo.

Eu lembrei do escritor Sousândrade, das aulas do Jayro Luna. Esquecido por 50 anos, dizem que Sousândrade estava na frente de sua época. Sei lá, lembrei por ouvir muito dessa necessidade de contatos e Sanches falando que não quer receber o reconhecimento no póstumo e quantos autores bons estão apagados nessa febre de muitos publicarem e o que rege é o capital e o contato... Palestras de escrita tem me parecido, os livros de escrita também, parecido treinamento de marketing pessoal onde o papo de networking sempre rolava. Não sei, mas não foi sempre assim? Sousândrade é do final do século 19 e estava à frente de seu tempo nos problemas e na relação com o que não controlamos: o que as pessoas querem ler, dos leitor ideal ao real. Muito além. Eu pensei nele e quantos dele estão por aí e talvez isso faça a diferença entre alta literatura e literatura popular e aí entra o discurso do LEM que não tem medo de falar que lê Nora Roberts e que escritor não tem que ter medo de ser comercial e aqui casa tudo, ele fala o que muitos têm medo de peitar: quero ganhar dinheiro publicando e estou vendo que o que ganha são os popularescos como Harry Potter e seus derivados. Como o que é literatura de qualidade só é dito com o tempo, pois no tempo se firma, acho que não pode se perder tempo discutindo o ovo e sim escrevendo e publicando, se for popular, de polpa como diz Roberto Causo, melhor. Se vai perdurar pela eternidade, nem toda fibra de um escritor dedicado pode afirmar.
Sanches ainda falou da necessidade do autor nacional em romper com o público, em chocar e tudo o mais, ser de um grupo de 500 leitores como diz Nelson de Oliveira. As editoras estrangeiras estão trazendo outra filosofia para cá, menos romântica, que já existe há muito nos EUA e na Europa e quem tiver o espírito da época ficará com a barriga mais cheia vendendo direitos autorais para filmes e o caramba...

Falei. Tinha mais, confesso, encontros assim me deixam todo danado de vontade de sentar no boteco para discutir. Acho que um ciclo de debate serve para ativar um ciclo de debates e no momento é aqui que a coisa circula. Como a meia dúzia que convidei não foi, fico aqui para alguém ler. Espero...

A conversa estará disponível no Digestivo, amanhã, com direito a minha pergunta de sempre: o que acha de curso de formação de escritores?

Amanhã estou lá de volta e volto para dizer se mudou mais alguém e o que disseram.
Té mais.

domingo, 20 de julho de 2008

2008 A.D.

"Parece que conseguimos juntar numa só antologia os escritores mais legais (e modestos) dos últimos tempos”. Essa frase do Jonatas Syrayama define bem o lançamento da antologia que tive o prazer de organizar pela Andross Editora: Anno Domini Manuscritos Medievais. Em pareceria com Helena Gomes. Um clima agradável que só pecou pelo pouco tempo para conversar, em duas horas não deu para dizer metade, conversar um terço e tudo o mais do que era preciso.
Só consegui dizer para Giulia Moon que o conto dela no Amor Vampiro é uma obra danada de boa; convidar o Roberto Causo, depois de dizer uma dez vezes o quanto estava honrado com sua presença, para o encontro de literatura que estou organizando (e ele aceitou!); convidar e papear com o prefaciador sempre antenado Silvio Alexandre; e conhecer e tamborilar algumas palavras com Raphael “Falamansa” Draccon (que também virá do Rio para o evento). Fiquei no disquedisque com a Helena Gomes e fui gotejando elogios e obrigados aos autores que eram mais acessíveis, tinham uns bem atarefados e nesses nem tive o tempo de dizer oi.
O livro ficou lindo e não vou ficar falando porque seria muita corugisse. Espero ter a oportunidade de trabalhar em outras obras assim onde a qualidade é fator comum. Muitas editoras lançam antologias sobre demanda, mas algo que não temos como discordar é que a Andross dá ao organizador a oportunidade de prezar pela qualidade do projeto, quando entregou a obra nas minhas mãos disse que eu tinha poder de veto, assim como a Helena, o que nos permitiu fazer um livro bacaninha pra danar.
Parabéns aos autores, que eles estejam sempre por aí. E vamos indo.

sábado, 19 de julho de 2008

Batman, The Dark Night, que filme!

Eu não gostava do Batman. Minha única paixão eram as aventuras do Superman. Quem mudou minha opinião foi o Kizzy Ysatis. Quando o conheci me emprestou todos os Contos de Batman e o Cavaleiro das Trevas e Ano Um. Eu entrei no universo obscuro do personagem que é o arquétipo do próprio ser-humano, com todos as suas nuances. Sempre existiu o selo quadrinhos adulto e daí em diante não entendi porque o Homem-Morcego não estava entre esses títulos (Junto com o Homem-Borracha). Não deixei de gostar de Superman, mas reconheci que os dois se completavam e outra coisa: tanto nos quadrinhos, quanto nos desenhos, Batman tinha sido muito mais bem tratado, o que ajudava o sabor dele ser mais fácil de apreciar. E a pilha do Batman começou a competir e superar com a do Kal-el.
E aí veio o Batman Begins com todas as suas referências a alguns contos da década de oitenta, principalmente O Shaman, uma das minha prediletas e ao próprio Ano Um. E percebi que a coisa ganhava fôlego, e o Superman, com o Brian, não recebeu o mesmo trato, foi bacana, mas não quebrou nenhum limite.

E agora é lançado o que será o paradigma em filmes de super-heróis: The Dark Night.
O nome poderia ser, muito bem: The Jocker, ou Two Face, porque os vilões deste filme são o que tornam ele muito bom. E esse comentário está lá, num dos vários momentos de metalinguagem, onde o Coringa fala da importância de um grande vilão para que um grande herói tenha o que fazer. Fabuloso.
Ledger está estonteante e penso como ele se superaria? Atuação de dar medo. Cada tique, palavra, composto com toda a seriedade que o ator australiano sabia empregar. Uma das coisas que faz o filme sair do gênero pipoca. (E eu penso em um nome para continuar, caso o Coringa volte, só um conseguiria seguir o tom criado pelo ator: o Sr. Depp; só ele, acho.) Nada de caricaturas, nada de brincadeiras tolas, todo o lado sombrio do Coringa, que atirou a queima roupa na batmoça e matou o Robin, toda a escuridão está lá. E ainda temos Harvey Dent, o futuro Duas Caras, uma construção de personagem fantástica. Sem maniqueísmo, por mais que a figura o suscite. Em RPG seria um prelúdio bem feito, onde conhecemos bem como o personagem se meteu naquilo tudo, quem ele é, como entrou no Mundo das Trevas. Demais! O ator consegue, principalmente na hora em que grita no hospital... nossa!
Talvez alguns achem longo demais, mas não tem um pedaço que se possa tirar. Talvez a cena final, não o texto dela, mas a cena em si fica meio deslocada, desafinada, da qualidade de todo o resto. Uma corridinha boba, mas que lembra cenas dos quadrinhos dos anos 70 e 60. Fumaça, escuridão, sombras. Talvez tenha tido propósito, ou talvez o texto desse momento seja tão apaixonante que a imagem era só uma necessidade secundária.
Eu gostaria de falar com propriedade desta obra que me deixou muito bem, fez valer algumas horas e como criador me sentir instigado. Eu gostaria de falar melhor das referência cinematográficas e das Hqs, mas infelizmente minha base epistemológica, nesse campo, é rasa. O que posso dizer é que é um filme, de cinema, não de casa. E não assistam no Santa Cruz, o som de lá não agüenta o que o Cavaleiro pede. Vá ao Kinoplex, ou alguma sala arrasadora. E depois me digam.

Té mais.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Uma tarde com Ketlen

Hoje conheci Ketlen (desculpe se essa não é a grafia certa Ketlen, mas é que não tivemos tempo para esses detalhes). Um circo instaurado na Praça da Sé e ela era a atração principal. Caída na terra, sangrando, só de calcinha. Arrancando o mato e urrando por dores internas e todas as outras. O público encantado pelo furor daquela dor, olhava, comentava e só. Duas evangélicas professando que aquilo acontecia para a glória do nome do cristo, a moça sangrando era mais um mártir para edificar o poder de Deus. E sobre ela eram despejadas profecias de botequim: uma casa, uma vida melhor, a fuga da homossexualidade. Uma senhora, outra evangélica, bem mais sã entrou na arena, dizia para as maritacas se falam de Jesus façam algo, vamos! tirou roupas não sei donde e se colocou a vestir a dor do rapaz. Depois trouxe um churrasco grego e um suco para acalentar o sabor da terra que ele lambia e raspava no rosto. Nesse pé eu já tinha entrado em contato com o Centro de Referência Mensageiros e pedido que mandasse uma perua da Central de Atendimento Permanente e de Emergência – CAPE – para cuidar do pobre. O grupo foi desfazendo e fiquei com ela. Disse que era de uma ONG e que esperaria a CAPE para que eles pudessem levá-lo ao pronto socorro e depois a um abrigo. Ele só dizia de nada adiantava. ONG não adianta, tudo mentira, falsidade, só fingem que se importam. A CAPE é cheia de gente muito humilde, mas eles não resolvem nada. Ninguém não resolve. Eu não preciso de médico, preciso de um psiquiatra e remédio controlado, a rua me deixou a cabeça ruim. O olho borrado de maquiagem e as unhas mal pintadas contornavam um corpo de sangue pisado, rosto que fora botinado durante a noite por um grupo de agressores que ele não tinha mínima idéia quem eram. Chutaram, esmurraram, curraram. Por conta do frio tinha bebido para cacete e fumado pedra e só sabia que tinha apanhado, muito. Eu fiquei ali ouvindo e ela contando, agrupando nomes e fatos e veio do Ceará aos 17, era auxiliar de cabeleireiro lá, e aqui viu que o sonho era evanescente e logo se prostituía em Santo André. Agora, aos 24, via-se há um ano na rua. A cafetina cansara dela. As palavras eram lúcidas, homofobia, desigualdade, direitos para aqueles que tinham cama e comida, casa e lata de leite condensado. Chorou de novo, pois lembrava que a família o amava e aceitava sua sexualidade, mas a tentação de são paulo como o lugar melhor venceu a vontade de estar em casa. E agora o que ele mais queria era voltar para mãe, para manicure. E nessas lágrimas de saudade passou uma viatura de Policiais Militares, um perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim, o segundo perguntou se estávamos namorando. Eu disse, tolo, que estava esperando a CAPE. Só isso. Só. O sorrisinho malandro foi embora. E eu fiquei ouvindo Ketlen dizer viu é esse tipo de coisa que acontece todo dia. Eu disse que eles deveriam nos proteger e não aquela palhaçada. Mas eu não tenho nada contra policial, tem gente muito boa, ela me ensinou. Ketlen me disse ainda pode ir se quiser, várias vezes durante a espera, até que na última confessou que precisava dormir. Eu fico aqui, garanti. Ela aceito e antes eu suspirei esse mundo acabou e nós ficamos. Ela disse nada e o menino dormiu fácil. A CAPE demorou duas horas para aparecer. Prestativos, acordaram ele e papearam, ouvi ele falando me chamo Ketlen, Ketlen e depois mudando de idéia. Eu saí antes de ouvir, sem me despedir dela, dizer o quê? Boa sorte? Obrigado?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

ponto, pula uma linha, travessão

E parei de buscar sentido e hoje acordei com aquele ar de comprimido entrando pelas orelhas e mudei. O Tom. Filho de bom moço, sempre agradável, papai simpático cheio de sim senhor, senhor e mãe ainda cheia do que os outros dizem, fui indo, virando um misto disso e foi bom, mas chega de ser bom. Simpático demais, agradável. Mania danada que não dá em coisa alguma. E quero dizer que não concordo com meia dúzia do que aí está, começando por mim. Dane-se a carolice das panelas de feira da benedito calixto, eu quero mais é que olhem o umbigo e deixem o meu, porque a educação é algo assim: eu gosto de você, não sou puxa saco não, isso é respeito e é sincero... não deu valor limpo as sandálias sem deixar poeira. Olha eu sendo hermético, mas menos burocrático... Perguntaram do meu comentário sobre não me olharem com bons olhos por conta das antologias e aí eu fiquei surpreso: tem gente lendo isso aqui? Uau!
Salve Borges! Hoje terminei Esse ofício do verso, comprado sexta-feira por indicação de Octavio Cariello, é um livro onde uma conferência dada pelo escritor argentino sobre a arte da palavra é resgatada. Que livro! Que fala! Entre outros axiomas, está que a pessoa deve acreditar nas coisas, mesmo que elas a decepcionem mais tarde e ainda... não, essa outra é só ler aí junto ao título do blog, virou frase lema. Nossa.
Acreditar é bom e o desapontamento é culpa nossa, ninguém pediu que acreditassemos e muito menos que criassemos alguma espectativa.
E olha a sonoridade indo embora.
Voltemos então: no sábado, 19/07, a axila lavada vai ser levada ao lançamento do Anno Domini e depois, no outro dia, em Santos, 26/07, um bis. Mas neste não vou não, trabalho na véspera de domingo. No mesmo dia, mais cedo, 14h, FENAC Paulista, a escritora Rosana Rios em Literatura com Culinária!
E Rosana Rios estará com Kizzy Ysatis e Marcelino Freire, Eunice Arruda, e a agente literária Alessandra Pires (e mais em confirmação) no Seminário Prática de Escrita: leituras, escrita e publicação, dia 27/09, que estou organizando na Unicsul, e depois falo mais que a menina está no berço berrando e mamãe nem aí sonhando.
Mas antes disso temos o lançamento do Diário da Sibila Rubra, de Kizzy Ysatis, na Bienal do Livro, dia 16/08, à partir das 14h.
beijim

terça-feira, 15 de julho de 2008

Coisas cOisas coIsas coiSas coisAs coisaS

Addam, Ademir Pascale, Albarus Andreos, Alexandre Matheus Bliska, Almir Pascale, Ana Luiza da Silva Garcia, André L. Pavesi, Angel,Arlete Sobral, Brontops, Bruno Freitas Oliveira, Bruno Schlatter, Chico Anes, Claudio Brites, Claudio Villa, Danny Marks, Douglas MCT, Gabriel Torres, Gustavo Lopes, Hanna Liis-Baxter, Helena Gomes, J. Feltrin, JBAlves, Jonatas Turcato Syrayama, José Roberto Vieira, Karina Brossi, Kathia Brienza, Leandro "Radrak" Reis, Leandro Chernicharo, Lívany Salles, Madô Martins, Márcio Aragão, Marcos Lopes, Monica Sicuro, Nazarethe Fonseca, Paulo Dumi, Rafael de Agostini Ferreira, Raphael Draccon, Renato Arfelli, Ricardo Delfin, Rodrigo Prata, Rossana Santos, Rúbia Cunha, Sergio Sparsbrod, Thiago Cabello, Tiago Lobo, V. Netto, Victor Maduro.
Estes são os nomes dos autores que fazem o Anno Domini, o livro de contos que organizo na parceria com Helena Gomes, eu sei, já falei e só lembrando dia 19 de julho, sábado agora, 18h na Casa das Rosas!
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A Casa Mário de Andrade tem mais um evento imperdível, dois, para os próximos dias:
CICLO DE DEBATES - ENCONTROS DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA com Daniel Galera, Michel Laub, Luis Eduardo Matta, Ivana Arruda Leite, Lívia Garcia-Roza, Cíntia Moscovic, Flávia Rocha, Fabrício Carpinejar, Elisa Andrade Buzzo, Ana Elisa Ribeiro, Antonio Prata e Xico Sá falando de romace, contos, poesia e crônicas. As inscrições vão de 2/6 a 21/7. São 40 vagas. Tel: (11) 3666-5803 / 3826-4085 e-mail: casamariodeandrade@assaoc.org.br e ainda OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA - DA PROSA AO VERSO com Tereza Mariko e Nelson de Oliveira, inscrições de 14/7 a 1/9. E ainda Marcelino Freire estará na FENAC Pinheiros amanhã com Murilo Salles, Xico Sá e Clarah Averbuck falando do filme Nome Próprio.
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E a Tríade, depois de 4 anos, inicia o seu acabamento. Octavio Cariello entra para o grupo onde estão Kizzy Ysatis, Carlos Andrade e eu e começa a preparar o bolo para publicação. A história está linda e tenho orgulho de assinar essa obra que dará o que falar.
Deixarei abaixo um texto de Carlos Andrade, idealizador do projeto.
Como surgiu a Tríade?
É complexo dizer como uma idéia surge. Como professor, por muitos anos, procurei instigar os jovens a escrever, buscando formas diversas de criar oportunidades para a sua realização. No entanto, tudo que escrevi até o momento estava relacionado à produção acadêmica do conhecimento em minha área, embora tivesse vontade de me voltar para a produção literária. Fui sempre um apreciador da ficção e, numa noite, sonhei com três personagens que me fascinaram em minhas leituras: um Anjo, um Cavaleiro Templário e um Vampiro. Ao acordar sobressaltado e envolto nas imagens que ainda se refletiam do sonho, pensei em escrever sobre elas – surgiu então a TRÍADE ©.
Convidei os escritores Claudio Brites, Kizzy Ysatis e, recentemente, Octavio Cariello para compartilharem comigo desse projeto. Assim cada um de nós assumiria um papel; visões diferentes que se envolveriam numa trama densa do século XIV.
Parece não haver coerência na união dessas personagens. Elas sempre permearam espaços próprios ou singulares. Agora é a hora do encontro. Você pode imaginar o que poderá resultar desse encontro?
A Tríade entrará em cena brevemente e aproveitamos o momento para convidar-lhe, desde já, a conviver conosco nesse mundo no qual o consciente e o inconsciente se tocam; passado, presente e futuro se mesclam e o imaginário é construído como reflexo dos anseios e sonhos humanos.
E por hoje é tudo isso.
Beijim

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espuma nos olhos

Num descuido de acharmos que já sabemos ficamos seguros demais e nessa nos perdemos, ou pior, perdemos quem amamos. Hoje tomei um susto, no desleixo, e me perdi no medo do que poderia ter acontecido. Pra ficar esperto e não nos culparmos por toda vida. É coisa de louco, um susto que me mostrou o quanto se pode amar, muito, deveras, alguém que mal conhece. Um susto que tirou o encanto pelo soluço inicial, todo bonitinho pode ficar feio do nada, e Ei! Pássa!
...
Acho que está na hora de voltar a cotidianizar para os trilhos servirem novamente aos seus propósitos. E a coisa é o lançamento do Anno Domini que será realizado na Casa das Rosas no dia 19 de julho, às 18h. O livro está bonito, mais uma vez me senti honrado de reunir um grupo de pessoas muito dedicadas e prontas à aprender e criar, sem medo, sem frescura. Bancar sonhos e idéias. Os autores confiaram no meu crivo e da amiga e parceira na organização Helena Gomes, botamos para rasgar e peneiramos e nos metemos e aprendemos e foi muito bom. Eu sei que não sou bem visto por essas organizações (ouvi muito isso no começo desta, dos mais veteranos, fazer...), mas eu vejo muito bem todas elas (Machado de Assis já bancava seus livros). Eu aprendo e publico e tudo isso que tem gente que diz que é fácil, mas não o é. Sobre a qualidade, acho que basta passar olhos no Livro Negro dos Vampiros, da capa (que capa!) aos contos, cumprem o propósito e além. Como existem muitos romances e infanto-juvenís que não valem denário, tem antologias que não o vale e outras que o vale. Esta (LNV) e a nova (A.D.) dizem por si. Confiram e mandem ver!: O Anno Domini é um passolargo de 54 contos de neófitos autores e outros nem tanto: o autor bestseller Raphael Draccon e ainda Nazarethe Fonseca e Claudio Villa e Dougla MCT. E muita gente boa, que me comprometo enumerar aqui, como fez Roberto Causo no Terra Magazine, com o LNV. Então, o lançamento é num sábado, lindo, na artéria desta cidade. Espero que apareçam para um oi, um vinho, um cheiro.
E é isso, literatura e mais, ai que delícia! (Hoje estou cheio de exclamações [e parênteses]). Logo um seminário com muita fera falando de escrever. Já tenho alguns nomes, mas deixo pra mais amanhã.
Beijim
t+ (.)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Irc!

Eu não tinha idéia de quanto um soluço pode nos fazer entrar em contato com as questões mais profundas da existência, agora entendo a maçã de Newton. Pequenas coisas, as pedrinha ao lago, que criam tsunamis de reflexão. O soluço, uma causa qualquer, a metáfora dos problemas persistentes, das aflições recorrentes. E ainda não se pode prender o ar e engolir em seco, tomar os três golinhos de àgua, ou mesmo dar-se ao susto é uma quedância deixar alí o que há e encarar o nada posso fazer. Um irc! e quantas vezes deixei o ar ir e vir num medo, uma entrega, a intenção de parar ou de continuar. E o quase vai como o disco riscado inflando coisas velhas e a lã vermelha na testa e nada funciona e ele está ali como o chocalho do índio na dança da meia lua invocando um iceberg com todas as suas profundezas. As coisas vão bem, mas o todo é meio essa sensação de soluço. Do suspiro quebrado, invadido pela incerteza do para onde estou indo e vem o cansaço, muito, danado e quebrado também e refém eu contiuo. Feliz, isso é fato, e não é uma felicidade trôpega, ela não, talvez a única firme, sonora e longa, vem trazer uma força ao diafragma que agüenta. Um soluço e todas estas palavras. Um soluço e o mundo já não é tão real e tão provável e eu nem sei mais para onde estou indo e me pego rezando como menino e pedindo ao santo do dia um pouco de ar e paz e sabedoria, principalmente, para entender as frestas disso que vem se compondo ainda sem nome nas voltas da minha vida, desse novo eu que (sobre)vive aos e para os soluços.
irc!
t+

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Nasceu!

Nunca um verbo no pretérito, uma palavrinha, carregou tanto significado: nasceu!
Assim, a cheios pulmões, bradado por mim à rouquidão: nasceu!
Minha filha, minha menina. A filha, a menina. Um caleidoscópio de infinito que carrega um pouco de tudo na imensidão de sua novidade.
Seu nome será comum aos meus pensamentos, aos meus suspiros e às minhas preocupações. Um novo nome que substitui a importância de todos os outros e minha mãe, minha esposa, os santos todos ganham alguém que lhes estará concorrendo em preferências e carinhos, alguém que se pôs na primeira posição da fila. Um mote às minhas narrativas, uma leitora dos meus desvarios.
Se posso descrever como foi? Não. Assistindo ao parto eu pensava em motéis, em como as coisas começam e terminam em gemidos e quando vi o sangue e o empurra! eu perdi o ar e morri e renasci num grito ardido, um fôlego que me devolveu o suspiro.
Os olhos procurando entender, tão puxados e dados ao mundo e a cada um de seus contornos que nos convencemos a acostumar com cada uma de suas cores, que aceitamos não nos deslumbrar mais. Eu a invejei por poder descobrir tudo de novo, como muitos já fizeram, mas como nunca ninguém o fará. Do seu jeito, todo. E me deslumbrei por ser, por um tempo, a vela que iluminará alguns cantos.
E no primeiro toque eu me senti o criador do universo quando a minha voz fez o seu silêncio, a minha voz trouxe a paz e esta sensação deve ser o que faz Deus ser.
E procurei naquela fisionomia amassada a minha genética e o seu futuro e nas lágrimas me redimi por não oferecer mais do que ela me oferecia, tão pequena ia além do que jamais eu chegaria.
Ganho um novo nome, talvez um dos títulos mais antigos e poderosos do mundo, afinal até mesmo os reis respeitavam a natividade de seus vassalos, eu sou Pai e agradeço isso à minha filha.
Beijos (minha vez de trocar a fralda)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

my girl, My girl, MY girl ... talking about my girl!

terça-feira, 1 de julho de 2008

De empregos e morcegos e salada

Um dia bom esse. Dia de esclarecimentos e crescimento. Muito bom saber que, pouco, ou sem concordar, se conhece o terreno onde o pé desliza. Dia que fomos mais a frente, não terminou igual, não foi mais um sol poente. Bom. Nada de olhar para baixo e agradecer o chão que se perca o piso se o importante for o riso e suspiro de emoção. Eu não sei quando paro está vontade de ser mais vivo, talvez um dia ela se perca em copos de incerteza e responsabilidade, mas hoje foi o que deu vontade e fico bem por isso e agradeço que o mundo não vale nada e eu sei disso. Hoje foi assim, um sentido meio Poliana para uma carga cheia de gana em mudar em não parar, mas que se perdeu na rede das letras pequenas do mundo edital e aí vemos que o capital é o humano e os seres-supramos que nos confundimos e deixamos chamar de amigos e misturados estamos e contente nos fazemos. Mas chega de hermetismo e vamos ao heroísmo:
Batmam com trailer novo. Que coisa de louco, né? E Cariello logo estará lapidando A Tríade. Sexta-feira o mestre pegará a pedra bruta pra dar o brilho e na barba e bigode mandarmos para o céu! E amém. E falando em Cariello, seu romance, Tueris , é uma coisa louca, formosura para quem gosta de perder o tino num enredo sem pé e com muitas cabeças.
Sobre emprego: há vagas: A ONG Instituto Mensageiros está contratando diversos profissionais, experientes, o suficiente, para início urgente: pedagogos, assistentes sociais, educadores todos e psicólogos. Quem quiser é só mandar currículo, logo logo logo, para instituto@institutomensageiros.org.br. Lugar bom de trabalhar, dá gosto de suar. Divulguem e a coisa vai assim até setembro, mas por esses dia é mais urgente, pra ontem.
E amanhã começa a FLIP e eu suspiro fundo, bem e lembro da pousada do português, para esse ano eu só queria mesmo era um chego na Ana Maria Machado, João Gilberto Noll e Neil Gaiman, tudo lá pra gente ver e respirar o mesmo ar condicionado, o difícil é respirar porque ver dá, de longe: trasmissão ao vivo pela internet ou no Youtube com canal exclusivo. Coisa de louco, mas num dá para experimentar os mariscos e o pastel da praça.
Não pude ir no lançamento da APL de livro de sonetos dum imortal que já morreu, mas outro bem vivo está por lá de cartola e tudo e acho que logo nos diz como foi.
E foi isso. E essa coisa de blog vicia mesmo. E começo logo outro, ligado a este: claudiobrites.blogspot.com, textos todos de 15 em 15 luas (no mínimo) para purgar um pouco essa necessidade de literar, que vai vasando pelos cantos e até na hora de assunto de trabalho tem metáfora que escapa nos relatórios oficiais. E antes que perca o soldo por conta de uma rima pobre vou publicando no novo blog crônicas e contos e sem mais o quê, para deixar aqui a estes ditos meio dizem nada, vagos, recados, esta salada.
E nada de salário que aumenta e gesso que tirem, mas até que a coisa é bacana e sorrimos antes de dizer bejim bai bai.