domingo, 27 de julho de 2008
Pé de Cachimbo
http://mundonergal.blogspot.com/ - Helena
http://www.raphaeldraccon.com/blog/?p=121 - Raphael
http://www.mundosdemirr.com/blog.php - Claudio Villa
http://www.untitled.com.br/ - Sérgio
http://prancheta10.blogspot.com/ - Rafael
http://perdendolacabeca.blogspot.com/ - Ademir
http://mmccantinho.blogspot.com/ - Monica
http://blog.grinmelken.com.br/ - Leandro
http://www.lunivremia.blogspot.com/ - Hanna
E ainda a matéria fantástica que Robeto Causo escreveu para o Terra Magazine: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3031298-EI6622,00.html
E vamo indo.
T+
(Que post feio)
sexta-feira, 25 de julho de 2008
ELC, o GRANDE final.
Começou por Antonio Prata que a definiu como “Épico do Mínimo”. No seu papo cheio de humor e certezas disse que escreve desde sempre, não vive de livros e crônicas, mas de matérias e artigos para revistas conhecidas. “As idéias vêm do choque entre dois assuntos que não tem nada haver”. Quando Júlio perguntou das influências que sofreu de seus pais, o pai nada menos que Mario Prata, o moço respondeu que influência é uma palavra muito fraca “os caras me ensinaram a falar e andar!”. Observou ainda que: tem gente que vê a literatura como Cebion, quanto mais escritores (água) é como ela diluísse. Prata desfez um paradigma que trago há anos, de que a crônica não vem de cronos como dizem e sim de Corona, Coroa, pois o cronista escrevia para o rei, o que ele via no dia-a-dia. Falou ainda que não existe esse papo dela ser brasileira, há crônica no mundo todo.
E Carpinejar mandou que “fugir das influências dos pais é a maior forma de ser influenciado por eles”. Carpinejar é um cara ímpar. Simpático e talentoso realizou praticamente uma performance durante a reunião cotando que morar ao lado de um terreno baldio foi uma das suas maiores influências, pois o escritor compõe seu maquinário de ser a partir do lixo dos outros, é um coveiro de animais... Poeta, o organizador do Curso de Formação de Escritores da Unisinos mostrou que domina o estar em público como poucos. Falou dessa ânsia em confundir gerações com turminhas e que nessa catalogação alguns autores se perdem. O escritor tem que ser ávido, fofoqueiro e na crônica ele perde a neutralidade. Esquematizou que o conto tem uma história visível e uma invisível, Marcelino chama de sombra; a crônica torna o invisível visível logo de cara, evoca uma estranheza e o autor, mesmo usando um personagem, toma um partido diante das coisas e diz. Crônica é a literatura sem suspensório e quando é falsa morre ao ser publicada em livro.
Elisa Buzzo, pela formação mais jornalística, foi o ponto de equilíbrio na mesa. Receosa nas afirmações que caiam mais para o mundo jornalístico, já que nessas Carpinejar levantava da cadeira, a poetisa fortaleceu a briga de foice que sempre houve por esse gênero. Não que Elisa tenha tomado algum dos partidos. Ficou ali, questionando tanto quanto Júlio.
Da crônica Carpinejar e Prata falaram que muito do que tem aí não é crônica, é artigo, coluna. A crônica é o espaço da literatura no jornal e a necessidade de pegar um gancho com a notícia tem feito ela se perder. “A crônica é o que não é e nunca será notícia”, cantou Carpinejar, “é uma hermafrodita da literatura”, surgiu dentro do jornal mas não é jornalística, filha da ineficiência é uma embaixadinha literária, completou Prata. O Moço de Caxias do Sul ainda falou que o cronista que quer ser unânime não é cronista, me fazendo lembrar do caráter marginal que Nelson de Oliveira atribui a literatura.
Com histórias e ilustrações dignas de reprise é muito difícil descrever a mesa mais amarela de todas, assim como os óculos abelhão do Carpinejar. É um daqueles momentos que só vivendo mesmo. Sr. Brontops e Tiago Bode me acompanharam e concluímos que foi um dos melhores bate-papos sobre literatura que já presenciamos. A melhor opção é ouvir o mp3 no site do Digestivo.
Finalizo com a resposta que Carpinejar deu para o Bodosco quando ele perguntou da dita necessidade de humor na crônica nacional:
“Eu dou risada no desespero. Tem horas que você ta tão fudido que nada mais te magoa. É o otimismo que vem do fundo do poço”.
Nossa! E pena que acabou.
T+
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Dia Danado
As coisas andam muito estranhas. Nós queremos que as coisas aconteçam e quando elas acontecem não sabemos bem como agir. Acredito que para isso não tenha manual e o que posso fazer é agradecer e continuar, de boa, sempre.
Eu nem sei bem o que dizer, o dia esteve recheado de surpresas: o vencedor do prêmio SESC de literatura, Andre de Leones, falou algo sobre o Encontro de Literatura Contemporânea de ontem no seu blog, que você pode ouvir no site do Digestivo, e ainda citou o relato que fiz sobre o evento, que coisa! ... Mas a surpresa maior veio da escritora Ivana Arruda Leite, seu texto no blog me deixou bobo e maravilhado. Quando o Tiago Bode ligou contando eu confesso que não estava preparado para o conteúdo das palavras que começam com o título "Coisas que emocionam de verdade".
(Talvez não seja “hype” ficar bobo e maravilhado, mas no dia que perder os olhos de espanto de quando era moleque e a sinceridade em agradecer e me sentir lisonjeado, neste dia me internem. Sou assim, sempre fui, todos sabem que não sei esconder admiração e respeito e não sei deixar de ficar vermelho quando alguém me passa um elogio, afinal vivo achando que estou falando besteira... Fazer o quê? Nunca fui “hype”...)
Além disso, escavei alguns posts sobre o lançamento do Anno Domini e encontrei coisa muito bacana, os autores apreciaram o trabalho e a noite de lançamento. Leandro Radrak disse coisas tão bonitas, que nem minha mãe fala e Claudio Villa trouxe um tom gratificante.
Depois de uma manhã azeda, de febre, a tarde foi de conversa e planos e a noite de cuidados com A Pequena e não pude ir ao encontro de hoje na Casa Mario de Andrade, mas o Bode foi, só, acreditem. Amanhã estarei lá para ver Antonio Prata, Carpinejar e Elisa Andrade Buzzo falando do que mais gosto: Crônicas. Mesmo tendo praticado pouco nos ínterins dos últimos dias. Na verdade tenho falado muito de escrita e praticado quase nada, desse jeito viro um editor, crítico! escritor que é bom... (Se bem que assim ganhava alguma coisa)
Té+ e amo vocês.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
E.L.C, segundo dia
Diferente de ontem a conversa rolou mais direta, tirando Yuri com seu repertório biográfico de vida ao lado de Hilda Hilst, os autores estavam bem práticos e com poucas interferências um no papo do outro. E só uma moça fez pergunta, a minha pergunta, e eu fiquei sem assunto.
André falou do prêmio Sesc de Literatura e do Amores Expressos, como conseguiu, com mérito próprio, galgar algum espaço e de logo ser bem tratado. Mesmo que por pouco tempo e de forma incerta, traçou metas e quer ver até quando vive do fazer literário e seus derivados, se não der volta a dar aula no cursinho. Muito pontual disse que gosta de escrever a mão e se preocupa com a formação de leitores que sofrem no modo que a literatura é apresentada nas escolas. O Goiano falou ainda de O Arco Iris da Gravidade, de Thomas Pynchon, um livro bacana e deu a dica o conto Arábia, de James Joyce, uma aula de literatura (se é ou não, o moço é bom, basta ler suas divagações no blog, então nada como dar uma conferida).
Yuri falou de sua carreira de escritor e roteirista, além de diretor. Do prêmio com o curta Espelho e de sua coleção de elogios e networking que começam pela Hilda Hilst, que teve a oportunidade de freqüentar a casa por bastante tempo e aprender muito, até emails de Millôr Fernandes com elogios e tudo o mais. Ele falou dos textos que vêm em sonhos e de que roteiristas deveriam entender melhor de literatura. Dicou ainda Hermann Hess, Dostoievski e que um escritor deve escrever, nem que seja crônicas em revistas farmacêuticas: escrever! (concordo plenamente, Ignácio de Loyola Brandão acaba de lançar a biografia dos donos da Drogaria São Paulo!). Friso ainda algo que ele disse vir de Hilst: quando ele perguntou a ela um conselho para novos autores ela sentenciou: escrever em inglês.
Ivana foi mais direta nas respostas, sua clareza eu já conhecia de outros encontros. Ela falou que prêmios são uma boa saída, André era prova disso. E não saída só para entrar no mercado, mas também para subsistência, pois como os outros autores ela confirmou que o que dá o pão é a periferia do livro e direito autoral é uma piada. Autores novos devem submeter seus textos a alguém, mas de preferência pessoas que não escrevam, que gostem de literatura, mas não escrevam, além disso confirmou o que os autores de ontem falaram de mandar seus textos para mesas de editores e escritores famosos, a coisa não rola, vai para o lixo. A questão é conhecer alguém e colocar o texto no topo da pilha.
Na hora da pergunta, com o disse, uma moça mandou logo a que eu ia fazer e guardei, junto com Bode, outras duas, pois o ar era de cansaço e o pessoal, não os autores, pareciam querer dar o fora. Sendo assim, guardamos e tivemos a oportunidade de fazê-las para Ivana na saída. A primeira foi a coisa louca que é os autores dizerem para não perdermos nosso tempo pentelhando autores conhecidos e depois dizerem que só entramos em editoras conhecendo alguém. Uma loucura! Como conhecer alguém se a coisa é não importunar? Ivana disse que esse paradoxo ela já tinha observado, com sua filha, em conversas na Mercearia. E que a coisa é chegar com jeito e tudo o mais... E a outra pergunta foi, onde estava o conto do encontro? Ela também não soube. Deu a dica de leitura o jornal literário Rascunho que em agosto trará decágolos de autores para jovens escritores que querem ser publicados.
Bode e eu decidimos que vamos dar um curso de “Marketing Pessoal para Jovens Escritores” e eu vou escrever o livro “Como conquistar e ser publicado, dicas para autores em início de carreira que não conhecem ninguém”.
Acho que é isso, o sono acumulado em alguns dias sem dormir por conta da neném não está deixando as coisas muito claras, no momento vejo uma lagartixa estroboscópica dançando salsa na frente do bonequinho do Batman que fica em minha estante de livros.
Vamos indo.
T+
terça-feira, 22 de julho de 2008
Encontros de Literatura Contemporânea, primeiro dia
Eu lembrei do escritor Sousândrade, das aulas do Jayro Luna. Esquecido por 50 anos, dizem que Sousândrade estava na frente de sua época. Sei lá, lembrei por ouvir muito dessa necessidade de contatos e Sanches falando que não quer receber o reconhecimento no póstumo e quantos autores bons estão apagados nessa febre de muitos publicarem e o que rege é o capital e o contato... Palestras de escrita tem me parecido, os livros de escrita também, parecido treinamento de marketing pessoal onde o papo de networking sempre rolava. Não sei, mas não foi sempre assim? Sousândrade é do final do século 19 e estava à frente de seu tempo nos problemas e na relação com o que não controlamos: o que as pessoas querem ler, dos leitor ideal ao real. Muito além. Eu pensei nele e quantos dele estão por aí e talvez isso faça a diferença entre alta literatura e literatura popular e aí entra o discurso do LEM que não tem medo de falar que lê Nora Roberts e que escritor não tem que ter medo de ser comercial e aqui casa tudo, ele fala o que muitos têm medo de peitar: quero ganhar dinheiro publicando e estou vendo que o que ganha são os popularescos como Harry Potter e seus derivados. Como o que é literatura de qualidade só é dito com o tempo, pois no tempo se firma, acho que não pode se perder tempo discutindo o ovo e sim escrevendo e publicando, se for popular, de polpa como diz Roberto Causo, melhor. Se vai perdurar pela eternidade, nem toda fibra de um escritor dedicado pode afirmar.
Falei. Tinha mais, confesso, encontros assim me deixam todo danado de vontade de sentar no boteco para discutir. Acho que um ciclo de debate serve para ativar um ciclo de debates e no momento é aqui que a coisa circula. Como a meia dúzia que convidei não foi, fico aqui para alguém ler. Espero...
A conversa estará disponível no Digestivo, amanhã, com direito a minha pergunta de sempre: o que acha de curso de formação de escritores?
Amanhã estou lá de volta e volto para dizer se mudou mais alguém e o que disseram.
domingo, 20 de julho de 2008
2008 A.D.
"Parece que conseguimos juntar numa só antologia os escritores mais legais (e modestos) dos últimos tempos”. Essa frase do Jonatas Syrayama define bem o lançamento da antologia que tive o prazer de organizar pela Andross Editora: Anno Domini Manuscritos Medievais. Em pareceria com Helena Gomes. Um clima agradável que só pecou pelo pouco tempo para conversar, em duas horas não deu para dizer metade, conversar um terço e tudo o mais do que era preciso.
Só consegui dizer para Giulia Moon que o conto dela no Amor Vampiro é uma obra danada de boa; convidar o Roberto Causo, depois de dizer uma dez vezes o quanto estava honrado com sua presença, para o encontro de literatura que estou organizando (e ele aceitou!); convidar e papear com o prefaciador sempre antenado Silvio Alexandre; e conhecer e tamborilar algumas palavras com Raphael “Falamansa” Draccon (que também virá do Rio para o evento). Fiquei no disquedisque com a Helena Gomes e fui gotejando elogios e obrigados aos autores que eram mais acessíveis, tinham uns bem atarefados e nesses nem tive o tempo de dizer oi.
O livro ficou lindo e não vou ficar falando porque seria muita corugisse. Espero ter a oportunidade de trabalhar em outras obras assim onde a qualidade é fator comum. Muitas editoras lançam antologias sobre demanda, mas algo que não temos como discordar é que a Andross dá ao organizador a oportunidade de prezar pela qualidade do projeto, quando entregou a obra nas minhas mãos disse que eu tinha poder de veto, assim como a Helena, o que nos permitiu fazer um livro bacaninha pra danar.
Parabéns aos autores, que eles estejam sempre por aí. E vamos indo.
sábado, 19 de julho de 2008
Batman, The Dark Night, que filme!
Eu não gostava do Batman. Minha única paixão eram as aventuras do Superman. Quem mudou minha opinião foi o Kizzy Ysatis. Quando o conheci me emprestou todos os Contos de Batman e o Cavaleiro das Trevas e Ano Um. Eu entrei no universo obscuro do personagem que é o arquétipo do próprio ser-humano, com todos as suas nuances. Sempre existiu o selo quadrinhos adulto e daí em diante não entendi porque o Homem-Morcego não estava entre esses títulos (Junto com o Homem-Borracha). Não deixei de gostar de Superman, mas reconheci que os dois se completavam e outra coisa: tanto nos quadrinhos, quanto nos desenhos, Batman tinha sido muito mais bem tratado, o que ajudava o sabor dele ser mais fácil de apreciar. E a pilha do Batman começou a competir e superar com a do Kal-el.
E aí veio o Batman Begins com todas as suas referências a alguns contos da década de oitenta, principalmente O Shaman, uma das minha prediletas e ao próprio Ano Um. E percebi que a coisa ganhava fôlego, e o Superman, com o Brian, não recebeu o mesmo trato, foi bacana, mas não quebrou nenhum limite.
E agora é lançado o que será o paradigma em filmes de super-heróis: The Dark Night.
O nome poderia ser, muito bem: The Jocker, ou Two Face, porque os vilões deste filme são o que tornam ele muito bom. E esse comentário está lá, num dos vários momentos de metalinguagem, onde o Coringa fala da importância de um grande vilão para que um grande herói tenha o que fazer. Fabuloso.
Ledger está estonteante e penso como ele se superaria? Atuação de dar medo. Cada tique, palavra, composto com toda a seriedade que o ator australiano sabia empregar. Uma das coisas que faz o filme sair do gênero pipoca. (E eu penso em um nome para continuar, caso o Coringa volte, só um conseguiria seguir o tom criado pelo ator: o Sr. Depp; só ele, acho.) Nada de caricaturas, nada de brincadeiras tolas, todo o lado sombrio do Coringa, que atirou a queima roupa na batmoça e matou o Robin, toda a escuridão está lá. E ainda temos Harvey Dent, o futuro Duas Caras, uma construção de personagem fantástica. Sem maniqueísmo, por mais que a figura o suscite. Em RPG seria um prelúdio bem feito, onde conhecemos bem como o personagem se meteu naquilo tudo, quem ele é, como entrou no Mundo das Trevas. Demais! O ator consegue, principalmente na hora em que grita no hospital... nossa!
Talvez alguns achem longo demais, mas não tem um pedaço que se possa tirar. Talvez a cena final, não o texto dela, mas a cena em si fica meio deslocada, desafinada, da qualidade de todo o resto. Uma corridinha boba, mas que lembra cenas dos quadrinhos dos anos 70 e 60. Fumaça, escuridão, sombras. Talvez tenha tido propósito, ou talvez o texto desse momento seja tão apaixonante que a imagem era só uma necessidade secundária.
Eu gostaria de falar com propriedade desta obra que me deixou muito bem, fez valer algumas horas e como criador me sentir instigado. Eu gostaria de falar melhor das referência cinematográficas e das Hqs, mas infelizmente minha base epistemológica, nesse campo, é rasa. O que posso dizer é que é um filme, de cinema, não de casa. E não assistam no Santa Cruz, o som de lá não agüenta o que o Cavaleiro pede. Vá ao Kinoplex, ou alguma sala arrasadora. E depois me digam.
Té mais.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Uma tarde com Ketlen
quarta-feira, 16 de julho de 2008
ponto, pula uma linha, travessão
terça-feira, 15 de julho de 2008
Coisas cOisas coIsas coiSas coisAs coisaS
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Espuma nos olhos
terça-feira, 8 de julho de 2008
Irc!
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Nasceu!
Assim, a cheios pulmões, bradado por mim à rouquidão: nasceu!
Minha filha, minha menina. A filha, a menina. Um caleidoscópio de infinito que carrega um pouco de tudo na imensidão de sua novidade.
Seu nome será comum aos meus pensamentos, aos meus suspiros e às minhas preocupações. Um novo nome que substitui a importância de todos os outros e minha mãe, minha esposa, os santos todos ganham alguém que lhes estará concorrendo em preferências e carinhos, alguém que se pôs na primeira posição da fila. Um mote às minhas narrativas, uma leitora dos meus desvarios.
Se posso descrever como foi? Não. Assistindo ao parto eu pensava em motéis, em como as coisas começam e terminam em gemidos e quando vi o sangue e o empurra! eu perdi o ar e morri e renasci num grito ardido, um fôlego que me devolveu o suspiro.
Os olhos procurando entender, tão puxados e dados ao mundo e a cada um de seus contornos que nos convencemos a acostumar com cada uma de suas cores, que aceitamos não nos deslumbrar mais. Eu a invejei por poder descobrir tudo de novo, como muitos já fizeram, mas como nunca ninguém o fará. Do seu jeito, todo. E me deslumbrei por ser, por um tempo, a vela que iluminará alguns cantos.
E no primeiro toque eu me senti o criador do universo quando a minha voz fez o seu silêncio, a minha voz trouxe a paz e esta sensação deve ser o que faz Deus ser.
E procurei naquela fisionomia amassada a minha genética e o seu futuro e nas lágrimas me redimi por não oferecer mais do que ela me oferecia, tão pequena ia além do que jamais eu chegaria.
Ganho um novo nome, talvez um dos títulos mais antigos e poderosos do mundo, afinal até mesmo os reis respeitavam a natividade de seus vassalos, eu sou Pai e agradeço isso à minha filha.
Beijos (minha vez de trocar a fralda)